quando é normal, causas e o que fazer


gato vomitando amarelo
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Ver um gato vomitando sempre acende um alerta, e com razão. Esse é, inclusive, um dos motivos mais frequentes que levam os felinos a consultas veterinárias, especialmente em atendimentos de urgência, justamente por estar associado a diferentes alterações de saúde.

Em alguns casos, o vômito pode ter origem em situações pontuais, como a eliminação de bolas de pelo. Em outros, porém, pode indicar problemas digestivos, metabólicos, infecciosos ou hormonais, como gastrite, pancreatite, insuficiência renal, doenças hepáticas e intolerâncias alimentares.

Por isso, vale um ponto importante: vomitar não é uma doença, mas um sinal clínico de que algo no organismo do gato não está funcionando como deveria.

Do ponto de vista veterinário, o vômito é um reflexo complexo, controlado pelo sistema nervoso, que pode ser classificado de forma geral em dois tipos:

  • Vômito agudo, quando surge de forma recente (menos de duas semanas);
  • Vômito crônico, quando persiste por mais de duas semanas ou se repete com frequência.

Essa distinção é fundamental, porque as causas, os exames indicados e a conduta terapêutica variam bastante conforme a evolução do quadro e os sinais associados.

Além disso, os gatos se desidratam muito mais rápido do que os humanos. Enquanto um adulto saudável pode levar cerca de dois a três dias para entrar em um quadro preocupante de desidratação.

Um gato pode apresentar sinais em menos de 24 horas, especialmente se estiver vomitando com frequência, recusando água ou reduzindo a alimentação.

Por isso, saber o que observar, quando acompanhar em casa e quando procurar ajuda veterinária faz toda a diferença. Com orientação adequada, alguns quadros podem ser monitorados com segurança, evitando estresse desnecessário para o animal.

Em outros casos, reconhecer os sinais de alerta logo no início pode ser decisivo para prevenir complicações mais graves.

Ao longo deste guia, você vai entender por que os gatos vomitam, quais são as causas mais comuns, como identificar quando o quadro é mais sério e o que fazer em cada situação, sempre com foco na saúde e no bem-estar do seu pet.

É normal gato vomitar?

Sim, gatos podem vomitar ocasionalmente, e isso nem sempre indica um problema de saúde. Até mesmo gatos considerados saudáveis podem apresentar episódios isolados ao longo da vida, principalmente relacionados ao funcionamento natural do sistema digestivo.

O ponto principal não é apenas o ato de vomitar, mas com que frequência isso acontece, como é o vômito e como o gato se comporta antes e depois do episódio, e principalmente, outros sintomas associados que surjam.

Identificando casos leves

Em geral, vômitos ocasionais e isolados podem ser considerados leves quando:

  • acontecem esporadicamente;
  • não se repetem em um curto período;
  • o gato continua ativo, alerta e com comportamento habitual;
  • há apetite normal e ingestão adequada de água;
  • não surgem outros sintomas associados;

Um exemplo comum são as bolas de pelo, que costumam aparecer como massas alongadas de pelos misturados a secreções digestivas. Quando isso ocorre de forma pouco frequente, geralmente não representa motivo de preocupação.

Também podem acontecer episódios isolados relacionados a:

  • ingestão rápida de alimento;
  • movimentação intensa logo após a refeição;
  • leve sensibilidade a algum ingrediente da dieta.

Nessas situações, o organismo tende a se autorregular, e o vômito não se repete.

Quantas vezes é normal um gato vomitar?

Não existe um número exato que seja considerado “normal” para todos os gatos, já que cada animal tem características individuais. Ainda assim, como orientação geral:

  • episódios muito esporádicos, separados por longos intervalos, podem acontecer;
  • vômitos frequentes, repetidos semanalmente ou em curtos períodos de tempo, não devem ser considerados normais.

Se o gato passa a vomitar com regularidade, mesmo que pareça “bem” no restante do tempo, isso já merece atenção.

O vômito crônico não deve ser subestimado, pois pode estar associado a condições como intolerância alimentar, gastrite, doenças inflamatórias intestinais, alterações renais, hepáticas ou outras enfermidades que exigem diagnóstico.

Outro sinal importante é a presença de sangue no vômito, alteração na cor (amarelado intenso, esverdeado ou escuro), além de sintomas como apatia, fraqueza, perda de apetite, diarreia ou aumento da sede.

Por que meu gato está vomitando?

O vômito em gatos pode acontecer por diversos motivos, desde situações simples do dia a dia até doenças que exigem acompanhamento veterinário. Comer rápido demais, ingerir algo inadequado ou apresentar alterações em órgãos importantes são alguns exemplos.

Mais importante do que um episódio isolado é observar com que frequência o vômito acontece, como é o conteúdo eliminado e como o gato se comporta antes e depois. Esses detalhes ajudam a entender se o quadro tende a ser leve ou se merece investigação.

gatos vomitando amarelo
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De forma geral, as principais causas de vômito em gatos incluem:

Tricobezoar (bola de pelo)

Os gatos passam boa parte do tempo se lambendo para manter a higiene. Nesse processo, acabam ingerindo pelos soltos que seguem para o estômago.

Quando o organismo não consegue eliminá-los pelas fezes, ocorre o acúmulo que forma o tricobezoar, conhecido como bola de pelo.

Esse acúmulo pode causar ânsia, engasgos e vômito com massas alongadas de pelo, geralmente misturadas a secreções digestivas.

A eliminação ocasional pode acontecer em alguns gatos, mas episódios frequentes merecem atenção, especialmente quando vêm acompanhados de apatia, perda de apetite ou dificuldade para evacuar.

Segundo estudo da veterinária Martha Cannon, especialista em medicina felina, a frequência e o volume das bolas de pelo ajudam a diferenciar episódios pontuais de problemas gastrointestinais mais sérios.

Observações clínicas em veterinárias especializadas em felinos indicam que:

  • cerca de 10% dos gatos de pelo curto, aparentemente saudáveis, apresentam vômitos com bolas de pelo.
  • em gatos de pelo longo, a ocorrência é aproximadamente duas vezes mais frequente.
  • gatos passam cerca de 25% do tempo acordados se lambendo, o que explica a ingestão regular de pelos.

Esses dados mostram que bolas de pelo podem acontecer, mas não devem ser consideradas normais quando se tornam frequentes ou quando o gato passa a vomitar com regularidade.

Gastrite felina

A gastrite felina é a inflamação da mucosa do estômago e pode surgir por fatores como estresse, jejum prolongado, mudanças bruscas na alimentação, ingestão de substâncias inadequadas ou infecções.

Os sinais costumam incluir náusea, salivação excessiva, desconforto abdominal e redução do apetite. Em alguns casos, o tutor percebe vômito amarelado, indicando a presença de bile (comum quando o estômago permanece vazio por longos períodos).

Na prática clínica, a gastrite pode se apresentar de duas formas:

  • Gastrite aguda: início repentino, geralmente associado à ingestão de corpos estranhos, toxinas ou reação alimentar.
  • Gastrite crônica: episódios recorrentes ao longo do tempo, frequentemente relacionados a parasitas, hipersensibilidade alimentar ou infecção por Helicobacter.

Em quadros persistentes, podem surgir letargia, dor abdominal e, em situações mais avançadas, presença de sangue no vômito.

Intolerância ou alergia alimentar

Alguns gatos apresentam sensibilidade a determinados ingredientes da alimentação, o que pode causar irritação no trato digestivo e levar a vômitos recorrentes. Esse tipo de reação pode se desenvolver ao longo do tempo. Os sinais mais comuns incluem:

  • vômito logo após a refeição;
  • repetição dos episódios com o mesmo alimento;
  • diarreia ou fezes amolecidas, às vezes com muco;
  • coceira, alterações na pele ou queda excessiva de pelos.

Mudanças rápidas de ração, introdução frequente de petiscos ou oferta de alimentos inadequados podem contribuir para o quadro.

Estudos descrevem que essas reações adversas aos alimentos se dividem em:

  • Intolerância alimentar: dificuldade do organismo em digerir certos componentes da dieta.
  • Alergia alimentar: resposta do sistema imunológico, geralmente associada também a sinais de pele.

Em ambos os casos, a repetição dos sintomas é o principal indicativo de envolvimento alimentar.

Parasitas intestinais (vermes)

A verminose em gatos é causada por parasitas intestinais que se alojam no trato digestivo. Podem incluir vermes redondos, vermes chatos e, em alguns casos, parasitas com impacto respiratório.

É uma causa comum de vômito, especialmente em gatos filhotes, mas também pode afetar adultos sem vermifugação regular ou com acesso à rua. Além do vômito, o pet pode apresentar quadros de:

  • diarreia;
  • emagrecimento progressivo;
  • apatia;
  • abdômen distendido.

Em infestações mais intensas, é possível visualizar vermes no vômito, geralmente com aparência de fios claros ou esbranquiçados. Isso indica que a infestação está avançada e exige avaliação veterinária.

Pancreatite felina

O pâncreas produz enzimas essenciais para a digestão. Quando esse órgão inflama, ocorre a pancreatite, que pode causar náusea, vômitos, perda de peso e diminuição do apetite.

Em gatos, a pancreatite costuma estar associada a diabetes, obesidade, doença inflamatória intestinal e alterações hepáticas ou biliares. Os sinais tendem a ser discretos e o vômito nem sempre está presente, o que dificulta a identificação.

Sintomas como apatia, falta de apetite, letargia e desidratação são mais comuns. O diagnóstico geralmente exige exames complementares, com destaque para a ultrassonografia abdominal.

Doença renal em gatos

A doença renal é uma condição comum em gatos, especialmente nos mais velhos, que compromete a capacidade dos rins de filtrar e eliminar toxinas do organismo.

Em muitos casos, o vômito é um dos primeiros sinais percebidos pelo tutor, podendo surgir antes mesmo do diagnóstico.

Nos quadros de insuficiência renal, o vômito está relacionado ao acúmulo de toxinas no sangue, que estimulam áreas do cérebro responsáveis pela sensação de náusea. Por isso, os episódios tendem a ser persistentes e progressivos.

Na forma crônica, a mais frequente em gatos, também podem ser observados sinais como diminuição do apetite, aumento da ingestão de água, aumento do volume urinário, letargia e perda de peso ao longo do tempo.

Ingestão de plantas tóxicas ou substâncias inadequadas

Gatos podem ingerir plantas tóxicas, produtos de limpeza, medicamentos ou alimentos impróprios. O vômito surge como uma tentativa do organismo de eliminar a substância ingerida.

Dependendo do agente envolvido, podem ocorrer salivação intensa, fraqueza, tremores ou alterações neurológicas, exigindo atenção imediata.

Estresse e ansiedade

Mudanças na rotina, ambiente pouco estimulante ou alterações sociais podem gerar estresse e ansiedade, refletindo diretamente no sistema digestivo.

Nesses casos, o gato pode apresentar náusea, ânsia e vômitos recorrentes, mesmo sem uma causa física identificável, geralmente acompanhados de mudanças sutis no comportamento.

Obstrução gastrointestinal (corpo estranho)

A ingestão de corpos estranhos é relativamente comum em gatos, especialmente durante brincadeiras ou comportamentos exploratórios. Barbantes, fitas, fios, ossos e pedaços de plantas estão entre os objetos mais frequentemente envolvidos.

Quando ocorre uma obstrução no trato digestivo, os sinais podem variar conforme o local e o grau do bloqueio, mas costumam incluir vômito persistente ou intermitente, perda de apetite, dor abdominal, desidratação e emagrecimento.

Em alguns casos, objetos lineares podem ficar presos sob a língua, algo que pode ser identificado durante a avaliação clínica.

Infecção por Physaloptera sp.

O Physaloptera é um parasita que se aloja no estômago dos gatos e pode causar vômito como principal, e às vezes único sinal clínico. A infecção ocorre quando o gato ingere insetos ou pequenos animais que atuam como hospedeiros intermediários.

Em muitos casos, o gato aparenta estar saudável, e exames laboratoriais podem não mostrar alterações significativas. Ainda assim, parasitas podem ser observados no vômito, o que costuma ser o principal indício da infecção.

A presença de eosinófilos em exames de sangue pode indicar resposta do organismo ao parasita.

Quando o vômito em gatos é sinal de alerta?

se o seu gato estiver vomitando
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Existem situações em que o vômito deixa de ser pontual e passa a exigir avaliação veterinária, especialmente quando aparece com outros sinais ou se repete em curto intervalo de tempo.

De forma geral, o vômito em gatos deve ser visto como sinal de alerta quando apresenta uma ou mais das situações abaixo:

Vômito frequente ou em curto intervalo de tempo

Episódios que acontecem várias vezes no mesmo dia, se repetem por dias consecutivos ou ocorrem em poucas horas não devem ser considerados normais.

Além de indicar um possível problema de saúde, o vômito frequente pode levar rapidamente à desidratação, principalmente quando vem acompanhado de diarreia.

Presença de sangue no vômito

O vômito com sangue sempre merece atenção imediata. O sintoma pode aparecer como:

  • vermelho vivo, indicando sangramento recente.
  • escuro, com aspecto de borra de café, sugerindo sangramento mais antigo.

Em ambos os casos, trata-se de uma situação que não deve ser observada em casa e exige avaliação veterinária o quanto antes.

Vômito acompanhado de outros sintomas

O quadro se torna mais preocupante quando o gato vomita e também apresenta:

  • falta de energia ou fraqueza;
  • comportamento de se esconder ou evitar contato;
  • relutância em se movimentar;
  • perda de apetite;
  • diarreia persistente.

Esses sinais indicam que o organismo está sendo afetado de forma mais ampla, e não apenas o sistema digestivo.

Sinais de dor abdominal

Gatos com dor abdominal podem apresentar postura curvada, chorar ou reagir ao toque na região da barriga. Esse tipo de comportamento sugere desconforto significativo e pode estar relacionado a inflamações, obstruções ou outras condições graves.

Alterações no comportamento geral

Mudanças claras no comportamento, como ficar prostrado (mais quieto que o normal, sem interesse pelo ambiente), se isolar ou deixar de responder a estímulos habituais, são sinais importantes.

Quando o vômito vem acompanhado dessas alterações, o quadro não deve ser subestimado.

Atenção redobrada em gatos mais vulneráveis

Em filhotes, gatos idosos ou animais com doenças crônicas, como insuficiência renal, diabetes ou problemas hepáticos, qualquer episódio de vômito deve ser avaliado com mais cautela, mesmo quando parece leve.

Reconhecer esses sinais ajuda o tutor a agir no momento certo, protegendo a saúde do gato sem excesso de preocupação, mas também sem atrasar uma avaliação necessária.

Isso é ainda mais importante porque os gatos podem desenvolver quadros graves de desidratação em até 24 horas, especialmente quando estão vomitando, o que pode agravar rapidamente a situação.

Quais são os tipos de vômito em gatos? O que a aparência pode indicar

Além da frequência e dos sintomas associados, observar a cor e o aspecto do vômito é um dos primeiros passos para entender o que pode estar acontecendo com o gato.

A tabela abaixo resume os tipos mais comuns de vômito em gatos, o que cada aspecto pode indicar e quando o sinal merece maior cuidado.

Aparência do vômitoO que pode indicarQuando se preocupar
Transparente ou com espuma brancaSaliva ou ácido gástrico, estômago vazio, náusea leve ou bolas de peloSe for frequente, ocorrer em jejum prolongado ou vier com apatia
AmareloPresença de bile, vômito com o estômago vazio ou náusea associada a jejumSe acontecer repetidamente ou junto de perda de apetite
VerdeBile em maior quantidade ou ingestão de plantasSe não houver acesso a plantas ou se for recorrente
Marrom escuro ou pretoSangue digerido ou possível sangramento gastrointestinalEmergência veterinária
Vermelho vivo ou rosadoSangue recente, irritação, úlceras ou traumaAvaliação veterinária imediata
Com alimento não digeridoDigestão interrompida, comer rápido ou refluxoSe ocorrer com frequência ou em grande volume
Com bolas de peloEliminação de tricobezoarNormal apenas se for esporádico
Com vermes visíveisInfestação parasitária intensaAvaliação veterinária necessária

O que fazer quando o gato está vomitando?

Ao perceber que o gato vomitou, o mais importante é agir com calma e observação, evitando medidas precipitadas que possam piorar o quadro.

O primeiro cuidado costuma gerar dúvida: oferecer comida e água, dar algum remédio ou dar um tempo para o organismo do gato se recuperar?

Entender como agir nessas primeiras horas ajuda a evitar novos episódios e a identificar o momento certo de buscar ajuda. A seguir, reunimos orientações importantes para que o tutor saiba como agir com segurança e responsabilidade.

Suspenda a alimentação por um curto período

Após episódios de vômito, o estômago pode estar irritado. Em gatos adultos e estáveis, pausar a oferta de alimento por algumas horas pode ajudar a reduzir a irritação gástrica e evitar novos episódios.

Esse intervalo deve ser curto e cuidadoso, levando em conta a idade, o estado de saúde e a frequência do vômito. A reintrodução da alimentação deve ser gradual, observando se o gato tolera pequenas quantidades sem voltar a vomitar.

Ofereça água com cautela

A desidratação é uma preocupação importante em gatos que vomitam. Mantenha água fresca disponível e observe se o animal aceita beber por conta própria.

Pequenas quantidades ao longo do dia tendem a ser melhor toleradas do que grandes volumes de uma só vez. Forçar a ingestão deve ser evitado, pois pode desencadear novos episódios.

Quando o vômito ocorre logo após beber água, a avaliação veterinária se torna necessária.

Protocolo de observação nas primeiras 24 horas

Após os primeiros cuidados, acompanhar o comportamento do gato nas horas seguintes é essencial.

A frequência do vômito, a disposição, a aceitação de água e possíveis mudanças no comportamento ajudam a diferenciar um quadro passageiro de uma situação que exige atendimento imediato.

Para ajudar nesse acompanhamento, preparamos um protocolo prático de observação nas primeiras 24 horas, com os principais pontos que o tutor deve monitorar.

PeríodoO que observarO que é esperadoSinal de alerta

Primeiras horas (0–4h)

– Frequência do vômito

– Comportamento geral

– Tentativa de beber água

– Episódio isolado, sem repetição

– Gato alerta, caminhando normalmente

– Pequenos goles, sem vomitar

– Vômitos contínuos ou em curto intervalo

– Apatia, isolamento, fraqueza

– Vomita logo após beber ou recusa total de água

Manhã / Tarde

– Apetite

– Hidratação

– Postura corporal

– Pode reduzir temporariamente

– Língua e gengivas úmidas

– Relaxada, movimentos normais

– Recusa total de alimento por muitas horas

– Boca seca, gengivas pálidas ou pegajosas

– Postura curvada, dor ao toque abdominal

Final do dia

– Novo episódio de vômito

– Aparência do vômito (se ocorrer)

– Uso da caixa de areia

– Ausência de novos episódios

– Vômito com aparência parecida com o primeiro episódio

– O gato continua urinando e evacuando normalmente na caixa de areia

– Vômito persistente ou com mudança de aspecto

– Presença de sangue, espuma intensa, coloração escura

– Ausência de urina ou diarreia associada

Até 24 horas– Evolução geral– Melhora gradual do quadro– Piora progressiva ou surgimento de novos sintomas

Prepare-se caso precise de atendimento veterinário

Se o quadro evoluir ou se o gato apresentar sinais de alerta, entre em contato com um hospital veterinário antes de sair de casa, sempre que possível. Isso permite receber orientações iniciais e agilizar o atendimento. Enquanto se prepara:

  • mantenha o gato em local confortável;
  • utilize uma caixa de transporte segura;
  • evite oferecer alimento antes da consulta, salvo orientação profissional

Além disso, o estresse pode agravar náuseas e vômitos, por isso é recomendado manter o ambiente calmo, evitar manuseio excessivo e tentar reduzir barulhos e estímulos.

O que não fazer quando o gato está vomitando?

Diante de um episódio de vômito, é comum que muitos responsáveis por gatos ajam por impulso, tentando resolver a situação rapidamente, como querer oferecer um remédio caseiro, forçar água ou mudar a alimentação.

Essas ações parecem atitudes intuitivas, mas podem acabar agravando o quadro ou dificultando o diagnóstico. Para evitar erros comuns, reunimos algumas orientações importantes sobre o que não fazer quando o gato está vomitando.

Não ofereça medicamentos por conta própria

Medicamentos humanos ou até remédios veterinários antigos nunca devem ser administrados sem orientação profissional. Substâncias comuns para humanos podem ser tóxicas para gatos e mascarar sintomas importantes.

Não force comida ou água

Forçar a ingestão de líquidos ou alimentos pode irritar ainda mais o estômago e provocar novos episódios de vômito, além de aumentar o risco de aspiração.

Não ignore a frequência do vômito

Vômitos repetidos, diários ou que se prolongam por mais de um dia não devem ser considerados normais, mesmo que o gato já tenha histórico de bolas de pelo.

Não faça mudanças bruscas na alimentação

Trocar a ração ou oferecer alimentos diferentes durante um episódio de vômito pode piorar a irritação gastrointestinal e dificultar a identificação da causa.

Não subestime sinais associados

Apatia, recusa de alimento, dor abdominal, diarreia, sangue no vômito ou dificuldade para beber água são sinais de alerta e não devem ser ignorados.

Não adie a avaliação veterinária quando houver dúvida

Na dúvida, procurar orientação veterinária é sempre a escolha mais segura. Gatos podem se desidratar rapidamente, e atrasar a avaliação pode levar a complicações evitáveis.

Como é feito o diagnóstico do vômito em gatos?

O diagnóstico do vômito em gatos começa sempre por uma avaliação cuidadosa da anamnese e do exame clínico. Esse passo é fundamental porque as causas e o tratamento variam bastante conforme o quadro apresentado pelo animal.

Durante a consulta, o veterinário também irá determinar se o vômito é agudo ou crônico, já que essa classificação influencia diretamente a escolha dos exames e a conduta terapêutica.

A partir dessa avaliação inicial, podem ser solicitados exames complementares para identificar a origem do problema. Os mais comuns incluem:

  • Exames de sangue, para avaliar função renal, hepática, alterações metabólicas, inflamação e estado de hidratação.
  • Exame de urina, importante para investigar doenças renais e sistêmicas.
  • Exame de fezes, indicado quando há suspeita de parasitas intestinais.
  • Exames de imagem, como ultrassonografia abdominal ou radiografia, usados para identificar inflamações, alterações em órgãos internos, corpos estranhos ou obstruções.
  • Endoscopia ou biópsia, reservadas para casos crônicos ou quando exames iniciais não esclarecem a causa.

Nem todos os gatos precisam realizar todos esses exames. A escolha depende do histórico, dos sinais clínicos e da resposta inicial ao manejo.

Como o responsável pelo gato pode ajudar no diagnóstico?

A participação do tutor é essencial para um diagnóstico mais rápido e preciso. Informações simples fazem muita diferença durante a consulta, como:

  • quando o vômito começou;
  • quantas vezes aconteceu e com que frequência;
  • como é a aparência do vômito (alimento, líquido, espuma, bile ou sangue);
  • se houve mudanças recentes na alimentação;
  • se o gato teve acesso à rua, plantas, lixo ou objetos;
  • presença de outros sintomas, como diarreia, apatia ou perda de apetite.

Perguntas que o responsável pelo gato pode fazer ao veterinário

Durante a consulta, é natural ter dúvidas. Algumas perguntas que podem ajudar no acompanhamento são:

  • Esse vômito é agudo ou crônico? Quais cuidados devo seguir?
  • Há sinais de desidratação ou comprometimento sistêmico?
  • Quais exames são realmente necessários neste momento?
  • Existe risco de o quadro se agravar rapidamente?
  • O que devo observar em casa após a consulta?

Um diagnóstico bem conduzido evita tratamentos inadequados, reduz riscos e garante um cuidado mais seguro para o gato.

Qual tratamento para casos de gato vomitando?

O tratamento depende do diagnóstico. Vomitar é um sinal clínico (não uma doença por si só), então o foco é controlar o mal-estar e corrigir o que está provocando o problema, evitando complicações como desidratação, perda de apetite e desequilíbrio de eletrólitos.

Revisões clínicas em gastroenterologia veterinária reforçam que o suporte inicial muitas vezes é necessário antes mesmo do diagnóstico definitivo, principalmente quando o gato já está debilitado ou com vômitos repetidos (Batchelor et al.; Trepanier; Viviano).

De forma geral, o tratamento costuma combinar cuidados de suporte com terapia direcionada (quando a origem é identificada).

Cuidados de suporte mais comuns

gato pode comer ração

Fluidoterapia (soro)

Quando há risco de desidratação, o veterinário pode recomendar a fluidoterapia: que são fluidos por via subcutânea (sob a pele) ou intravenosa (na veia, geralmente com internação).

A escolha depende da avaliação clínica, do grau de desidratação e dos exames. É uma das medidas mais importantes para estabilizar o paciente.

Antieméticos (controle de náusea e vômito)

Em muitos casos, controlar a náusea ajuda o gato a voltar a beber água e aceitar alimento, reduzindo risco de piora. Entre os antieméticos mais utilizados na rotina veterinária estão fármacos como maropitant, sempre com prescrição profissional e de acordo com o quadro clínico (Trepanier; Viviano).

Manejo alimentar

Quando o gato volta a tolerar alimento, pode ser indicado um plano temporário com dieta altamente digestível, em pequenas porções ao longo do dia.

Se houver suspeita de reação alimentar, o veterinário pode orientar uma dieta hipoalergênica, com ingredientes controlados, por algumas semanas.

Estratégias dietéticas são consideradas parte central do manejo de vômitos, especialmente em quadros gastrointestinais e hipersensibilidades.

Tratamento direcionado conforme a causa

tutor dando vermífugo para gato

Quando a origem é identificada, o plano muda. Alguns exemplos comuns:

  • Parasitas intestinais: vermífugo adequado (e controle ambiental);
  • Intoxicações: suporte intensivo e, em alguns casos, antídotos específicos;
  • Obstrução por corpo estranho: remoção por endoscopia ou cirurgia (dependendo do caso);
  • Doença renal, hepática, pancreática ou endócrina: tratamento da doença de base, porque controlar apenas o vômito não resolve o problema;
  • Doença inflamatória intestinal: pode envolver dieta terapêutica e medicações específicas, definidas após avaliação

Somente o veterinário pode avaliar o quadro de forma completa, identificar a causa correta e indicar o tratamento mais seguro para o seu gato. Evitar a automedicação e buscar orientação profissional é a melhor forma de proteger a saúde e o bem-estar do animal.

Como prevenir vômitos em gatos?

O vômito nem sempre pode ser evitado, mas a rotina do gato influencia diretamente na frequência com que ele acontece. Pequenos cuidados no dia a dia ajudam a manter o organismo mais equilibrado e a reduzir episódios recorrentes, como:

  • Ofereça porções menores e mais frequentes, evitando refeições grandes que sobrecarregam o estômago.
  • Mantenha uma alimentação de qualidade, adequada à idade, porte e condições de saúde do gato.
  • Evite mudanças bruscas de ração; quando necessárias, faça a transição de forma gradual.
  • Escove o gato regularmente, especialmente os de pelo longo, para reduzir a ingestão de pelos.
  • Estimule a hidratação, oferecendo água fresca e, se necessário, fontes ou alimentação úmida.
  • Mantenha plantas tóxicas, produtos de limpeza, medicamentos e pequenos objetos fora do alcance.

  • Realize vermifugação e consultas veterinárias periódicas, mesmo na ausência de sintomas.

Perguntas frequentes sobre vômito em gatos

gato vomitando a ração no chão da casa

Meu gato vomitou bola de pelo. Isso é normal?

Pode acontecer, sim. Os gatos se lambem diariamente e acabam ingerindo pelos, o que faz parte do comportamento natural da espécie.

Quando a eliminação de bolas de pelo é ocasional e o gato segue ativo, comendo e usando a caixa de areia normalmente, geralmente não há motivo para alarme.

O problema começa quando o vômito com bolas de pelo passa a ser frequente ou vem acompanhado de sinais como apatia, perda de apetite ou dificuldade para evacuar.

Nesses casos, é importante investigar, porque pode haver alteração no trânsito intestinal ou outro problema gastrointestinal associado.

Com que frequência um gato pode vomitar bola de pelo?

Não existe uma regra fixa para todos os gatos, mas episódios esporádicos, espaçados por semanas ou meses, podem acontecer.

Quando o tutor percebe que o gato vomita bolas de pelo com regularidade, por exemplo, toda semana ou várias vezes no mesmo mês, isso já não deve ser considerado normal e merece avaliação veterinária.

Bola de pelo também pode sair pelas fezes?

Sim, em muitos gatos, os pelos ingeridos são eliminados naturalmente pelas fezes. O vômito costuma acontecer quando esses pelos se acumulam no estômago e não conseguem seguir pelo intestino.

Por isso, vômito frequente, prisão de ventre ou esforço para evacuar são sinais que merecem atenção.

Meu gato está vomitando ou tossindo?

Essa é uma dúvida muito comum. No vômito, o gato geralmente apresenta ânsia, contrações abdominais e, ao final, elimina conteúdo gástrico, como alimento, líquido, espuma ou bolas de pelo.

Na tosse, o som é mais seco, o gato estica o pescoço para frente e não elimina conteúdo pela boca. Como a confusão é frequente, gravar um vídeo do episódio e mostrar ao veterinário ajuda bastante no diagnóstico.

Qual a diferença entre regurgitação e vômito?

A regurgitação acontece de forma mais passiva, normalmente logo após o gato comer, e o alimento sai praticamente sem digestão, sem esforço abdominal evidente.

Já o vômito é um processo ativo, com náusea, salivação e contrações, e o conteúdo costuma aparecer mais digerido, podendo conter bile ou espuma. Diferenciar essas situações é importante porque as causas e a investigação são distintas.

Meu gato vomitou várias vezes no mesmo dia. Devo esperar?

Não é recomendado. Episódios repetidos em curto intervalo aumentam o risco de desidratação e podem indicar problemas mais sérios, como obstrução, intoxicação ou doenças sistêmicas.

Mesmo que o gato pareça “melhor” entre um episódio e outro, o padrão de repetição já justifica procurar orientação veterinária.

Existe remédio para gato vomitando?

Existe tratamento, mas não existe um “remédio único” que sirva para todos os casos. Porém, os antieméticos são amplamente indicados e podem ser usados para controlar náusea e vômito, mas sempre com prescrição veterinária.

Tratar apenas o sintoma, sem investigar a causa, pode atrasar o diagnóstico de doenças importantes.

Posso dar remédio humano ou antigo para o meu gato?

Não. Muitos medicamentos usados por humanos são tóxicos para gatos, e até remédios veterinários antigos podem ser perigosos se administrados sem avaliação atual. A automedicação pode mascarar sintomas, piorar o quadro ou causar efeitos graves.

Prednisona ajuda em casos de vômito?

Em situações específicas, como algumas doenças inflamatórias intestinais, a prednisona pode fazer parte do tratamento. No entanto, ela não é indicada para todo gato que vomita e pode piorar doenças como pancreatite, diabetes e doença renal.

gato em uma consulta veterinária

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