
Curiosos por natureza, os gatos adoram explorar o ambiente — muitas vezes com a boca, o que aumenta as chances de intoxicação na espécie.
Afinal, o comportamento aventureiro dos felinos contribui para a ingestão de plantas perigosas, produtos químicos e pesticidas que podem comprometer o organismo do animal.
Não por acaso, os sintomas de gato intoxicado estão entre as principais causas de atendimento emergencial veterinário no país.
Segundo o Estadão, os casos de envenenamento já representam cerca de 60% dos atendimentos em prontos-socorros veterinários, acendendo o alerta para a gravidade do problema.
Além da curiosidade, fatores biológicos tornam os gatos mais vulneráveis, como a menor capacidade do fígado em metabolizar toxinas específicas. (Anjos & Brito, 2009)
E para piorar, hábitos comuns, como caçar pequenos insetos ou lamber o próprio pelo, também facilitam a ingestão acidental de substâncias tóxicas presentes no ambiente.
A seguir, mostramos como reconhecer os sinais de envenenamento rapidamente e quais cuidados emergenciais com gatos podem salvar a vida dos pet nestas situações!
Lembre-se: em casos de intoxicação, cada minuto conta — e a rapidez pode ser decisiva para a recuperação do seu melhor amigo.
O que é intoxicação em gatos?
A intoxicação felina é uma condição causada pelo contato do animal com toxinas perigosas para gatos, capazes de provocar desequilíbrios graves na espécie.
O problema pode afetar diferentes partes do corpo, como o sistema digestivo, nervoso ou respiratório, dependendo do tipo de substância envolvida.
Os quadros de intoxicação podem acontecer de forma acidental ou intencional, e variam de leves a graves, conforme a quantidade de toxina consumida.
Segundo Nogueira (2012), os casos também são classificados conforme os efeitos tóxicos desencadeados — locais, quando afetam somente uma estrutura, ou sistêmicos, quando se espalham por todo o corpo do animal.
Em geral, o processo de intoxicação é dividido em quatro etapas principais:
- Fase de exposição: o gato entra em contato com a substância tóxica ao ingerir, lamber, inalar ou absorver algo através da pele.
- Fase toxicocinética: a substância é absorvida, distribuída, metabolizada e eliminada, sobrecarregando órgãos como fígado e rins.
- Fase toxicodinâmica: a toxina passa a agir nas células e tecidos do animal, provocando alterações bioquímicas.
- Fase clínica: os sinais clínicos de intoxicação surgem, e alterações patológicas já podem ser detectadas no felino.
Quais são os sintomas de intoxicação em gatos?
Em uma entrevista para o portal de notícias G1, a veterinária Bianca Belline explica que os primeiros sinais de intoxicação felina são salivação excessiva, incoordenação de movimentos, pupilas dilatadas e convulsões.
No entanto, os sintomas clínicos do envenenamento podem variar conforme a quantidade e o tipo de substância envolvida, atuando principalmente em 3 esferas:
Sinais comportamentais
Diferente de outros pets, os gatos costumam esconder sinais de dor e desconforto muito bem, o que torna a intoxicação mais difícil de identificar nos estágios iniciais.
Por instinto, o felino tende a se isolar, evitar contato e reduzir atividades quando algo não vai bem, mesmo diante de quadros potencialmente graves.
Além disso, mudanças sutis, como apatia, irritação repentina, agressividade ou diminuição do apetite, já podem ser sintomas de um gato intoxicado.
Respiração acelerada, postura encolhida ou permanência prolongada em locais escondidos também funcionam como sinais de alerta importantes.
Sintomas gastrointestinais
Os problemas gastrointestinais em gatos são comuns nos quadros de intoxicação, já que o sistema digestivo costuma reagir rapidamente às toxinas ingeridas.
Entre os sinais mais observados estão:
Quando esses sintomas persistem, a perda de líquidos pode evoluir para desidratação em gatos, agravando o estado clínico do felino em poucas horas.
Alterações neurológicas
As alterações neurológicas em felinos costumam indicar quadros mais graves de intoxicação e exigem atendimento emergencial imediato.
Tremores, convulsões, desorientação, dificuldade para caminhar, quedas, pupilas dilatadas ou contraídas e perda de consciência também são sinais de envenenamento em gatos.
Nessas situações, o tempo de resposta dos responsáveis é decisivo, já que a progressão dos sintomas pode ser rápida e fatal.
Quais são as principais causas de intoxicação em gatos?

Grande parte dos casos de intoxicação em gatos acontece dentro de casa, a partir do contato com substâncias comuns no ambiente doméstico.
Ao menos foi o que um estudo conduzido pela Universidade Federal Rural do Rio de Janeiro descobriu ao analisar as causas de mais de 543 casos de intoxicação em felinos.
Segundo a pesquisa, os principais agentes envolvidos são pesticidas e produtos de limpeza, responsáveis por cerca de 44% dos casos.
Em seguida aparecem os medicamentos de uso humano, que representam aproximadamente 30% das intoxicações em gatos.
Outras causas relevantes incluem medicamentos veterinários usados de forma inadequada (10,7%) e o contato com plantas ornamentais perigosas (9,6%).
Com tantas possibilidades, reconhecer os principais agentes de intoxicação é a melhor forma de identificar um gato envenenado e evitar exposições perigosas.
Ingestão de produtos químicos por gatos
Produtos químicos como raticidas e inseticidas são os principais responsáveis pelo envenenamento acidental de gatos.
A intoxicação costuma ocorrer quando os felinos ingerem praguicidas usados na tentativa de exterminar ratos e insetos.
Uma das substâncias mais usadas nestas situações é o chumbinho, praguicida anticolinesterásico agrícola usado ilegalmente como raticida.
Quando ingerida pelos felinos, a substância passa a afetar o sistema nervoso do pet, provocando sintomas como vômitos, diarreia, dispneia e tremores musculares. (MELO; OLIVEIRA; LAGO, 2002)
Inseticidas domésticos e para jardinagem também representam perigo quando usados em excesso ou em ambientes fechados, favorecendo a inalação ou ingestão pelo gato.
Intoxicação por remédios humanos
A automedicação é outra causa frequente de intoxicação em felinos — especialmente quando remédios humanos são administrados sem orientação veterinária.
Segundo um estudo publicado na Revista de Educação Continuada em Medicina Veterinária e Zootecnia do CRMV-SP, os principais medicamentos envolvidos são os anti-inflamatórios.
Entre eles, o paracetamol é totalmente contraindicado para gatos, pois o organismo felino não consegue metabolizar a substância de forma segura. (Dorigon et al. 2013)
Nesses casos, mesmo pequenas doses podem provocar danos graves, como necrose hepática, alterações no transporte de oxigênio no sangue e anemia hemolítica.
Já os medicamentos veterinários também podem causar intoxicação quando usados de forma incorreta, em doses excessivas ou quando são formulados exclusivamente para cães.
Anti-inflamatórios animais, como o meloxicam, por exemplo, estão associados a gastrite medicamentosa.
Neste caso, o gato intoxicado por medicamento costuma apresentar sintomas como vômitos, apatia, prostração e perda de apetite.
Além disso, antiparasitários — como produtos à base de piretroides, ivermectina e fipronil — podem desencadear efeitos neurológicos em gatos.
Principais fármacos causadores de intoxicação em gatos
| Medicamento | Categoria | Indicação | Principais sintomas de intoxicação em gatos |
| Paracetamol (Tylenol) | Anti-inflamatório não esteroidal | Contraindicado para gatos. | Edema de face e membros, cianose, hiperventilação e acidose láctica. |
| Azul de metileno ou cloreto de metiltionímio | Antisséptico | Contraindicado para gatos. | Oxidação irreversível a hemoglobina, resultando na formação de corpúsculo deHeinz e hemólise celular. |
| Enemas à base de fosfato | Laxantes | Contraindicado para gatos. | Distúrbios metabólicos e intensa desidratação. |
| Ácido acetilsalicílico(Aspirina) | Analgésico, anti-inflamatório e antitérmico | Uso com cautela. | Vômitos, depressão, irritação gástrica, taquipneia, hipertemia, hipersensibilidade, convulsões e gastroenterite. |
| Compostos fenólicos(Dipirona e Propofol) | Analgésico ou anestésico | Uso com cautela. | Aumento da formação de corpúsculos de Heinz. |
| Ivermectina | Antiparasitário | Uso com cautela. | Ataxia, vocalização, desorientação, tremores, midríase, perdade reflexo pupilar, bradicardia, hipotermia, coma amaurose aparente, inquietação ebradicardia e reflexos normais ou exagerados. |
| Tramadol | Analgésico opioide | Uso com cautela. | Síndrome seratoninérgica, caracterizada por hipersalivação, midríase, desorientação, convulsão, dispneia, taquicardia, hipertensão e hipertermia. |
| Meloxicam | Anti-inflamatório não esteroidal | Uso com cautela. | Êmese, anorexia, apatia, gastrite medicamentosa |
| Ibuprofeno e Carprofeno | Anti-inflamatório não esteroidal | Uso com cautela. | Vômitos, diarreia, anorexia, taquipneia, insuficiência real, convulsões, tremores e ataxia. |
| Amitraz | Ectoparasiticida | Uso com cautela. | Sonolência, sedação, letargia, apatia, tremores musculares, ausência de reflexos,midríase, hipotermia, excitação e agressividade, além de bradicardia, hipotensão, êmese, diarreia e poliúria. |
Intoxicação por plantas ornamentais
A intoxicação por plantas é menos frequente do que outros tipos de envenenamento, mas ainda representa um risco real, especialmente entre felinos domésticos.
Afinal, muitas espécies comuns na decoração liberam substâncias tóxicas quando mastigadas ou ingeridas pelos gatos.
Levantamentos clínicos mostram que esse tipo de intoxicação corresponde a cerca de 3% dos casos atendidos, envolvendo plantas populares como:
- árvore-da-felicidade (Polyscias spp.);
- babosa (Aloe vera);
- comigo-ninguém-pode (Dieffenbachia seguine);
- lírios (Lilium spp.);
- palmeira-sagu (Cycas revoluta).
Nos episódios registrados, os sinais variam de acordo com a planta ingerida, mas incluem vômitos, apatia, perda de apetite, alterações respiratórias, desidratação e edema de face.
Além da ingestão, o contato direto com folhas ou seiva também pode provocar irritação oral, dermatite e conjuntivite, como observado em folhagens como jiboia e costela-de-adão.
Por isso, a presença dessas espécies no ambiente deve ser sempre avaliada em lares com pets, e um gato intoxicado por planta deve visitar um veterinário.
Principais plantas para manter fora do alcance de gatos
| Planta ornamental | Princípio tóxico | Principais sintomas | Sistema afetado |
| Dieffenbachia spp. (comigo-ninguém-pode) | Oxalato de cálcio, proteases | Salivação intensa, edema oral, dor, vômitos | Digestivo, respiratório |
| Lilium spp. (lírios) | Compostos não completamente identificados | Vômitos, letargia, anúria, falência renal | Renal |
| Cycas revoluta (palmeira-sagu) | Cicasina | Diarreia, icterícia, convulsões | Hepático e neurológico |
| Nerium oleander (espirradeira) | Glicosídeos cardíacos (oleandrina) | Arritmias, vômitos, bradicardia, colapso, morte súbita | Cardíaco e gastrointestinal |
| Sansevieria trifasciata (espada-de-são-jorge) | Saponinas | Náusea, diarreia, apatia | Digestivo |
| Tradescantia spathacea (abacaxi-roxo) | Compostos irritantes | Vômitos, hipersalivação, apatia | Digestivo |
| Anthurium spp. (antúrio) | Oxalato de cálcio | Edema oral, disfagia, dor, salivação | Digestivo e respiratório |
| Aloe vera (babosa) | Aloína e saponinas | Diarreia, vômitos, desequilíbrio eletrolítico | Digestivo e renal |
| Philodendron spp. (filodendro) | Oxalato de cálcio | Irritação oral, edema, disfagia e possível asfixia | Digestivo e respiratório |
| Zantedeschia aethiopica(Copo-de-leite)e Monstera deliciosa(Costela-de-adão) | Oxalato de cálcio | Edema de glote, dor oral, sialorreia | Respiratório e digestivo |
| Rhododendron spp. (Azaleia) | Andromedotoxina | Náuseas, hipotensão e alterações neurológicas | Respiratório e neurológico |
| Tulipa spp. (tulipas) | Tulipanosídeos | Salivação, depressão, vômitos | Digestivo e neurológico (em altas doses) |
| Lantana câmara (morango-da-terra) | Triterpenoides pentacíclicos | Icterícia, vômito bilioso, elevação de ALT e AST | Digestivo |
Intoxicação por zootoxinas
A intoxicação por zootoxinas em gatos é rara, mas costuma ser grave. Ela acontece após contato com venenos de animais, como cobras ou insetos, devido ao instinto de caça felino.
Nos registros clínicos, há relatos de acidente ofídico e de picada de marimbondo — e esses encontros podem explicar sintomas de um gato passando mal de forma repentina.
No primeiro caso, os animais picados podem apresentar sintomas fatais imediatamente, devido à ação rápida dos venenos.
Já na picada de marimbondo, os pets podem apresentar sinais iniciais como inchaço intenso na cabeça e no pescoço, olhos avermelhados e presença de sangue nas fezes.
Intoxicação por produtos de limpeza
A intoxicação por produtos de limpeza pode ser uma das causas de diarreia e vômito em gato, especialmente quando o animal tem acesso a embalagens mal armazenadas.
Casos clínicos relatam intoxicação por desinfetantes domésticos e por cresol, substância presente em alguns produtos de uso sanitário.
Os principais sinais observados nos quadros associados ao composto foram salivação excessiva, irritação nos olhos e narinas avermelhadas.
Em geral, os gatos são especialmente sensíveis a essas substâncias porque possuem menor capacidade de metabolização hepática.
No caso do cresol, isso pode levar a alterações neurológicas e oxidação da hemoglobina, agravando o quadro de intoxicação.
Para reduzir os riscos, o ideal é manter produtos de limpeza fora do alcance dos felinos e apostar em fórmulas pet-friendly, como as vendidas no pet shop da Cobasi.
Intoxicação por alimentos tóxicos para gatos
Embora os felinos sejam mais seletivos que os cães quando o assunto é a alimentação, a ingestão de comidas inadequadas para o seu organismo ainda pode acontecer.
Um exemplo conhecido é a intoxicação por chocolate em gatos, que costuma causar sinais neurológicos graves nos pets.
Segundo Kovalcovicová et al. (2009), os principais alimentos proibidos para a espécie são:
Podem causar alterações graves no sangue, levando à gastroenterite, vômito, diarreia, dor abdominal, perda de apetite e desidratação.
Contém teobromina e cafeína, substâncias que podem provocar agitação, tremores, vômitos e alterações neurológicas em felinos.
Associadas a quadros de insuficiência renal aguda, mesmo em pequenas quantidades, podem provocar sinais como desidratação, anorexia e tremores.
Na maioria dos casos, a intoxicação alimentar em gatos ocorre por falta de informação dos responsáveis e pelo fácil acesso a restos de comida.
Por isso, não oferecer alimentos humanos e manter esses itens fora do alcance do pet é uma das formas mais eficazes de prevenção!
Intoxicação por drogas de abuso
Embora pouco comum, a intoxicação felina por drogas de abuso pode acontecer de forma acidental — e geralmente é caracterizada como uma situação de emergência.
A maconha, por exemplo, é composta por folhas, caules e flores secas da Cannabis sativa, sendo o delta-9-tetraidrocanabinol (THC) seu principal agente psicoativo.
Em gatos, a ingestão da erva pode causar vômitos de líquido transparente, dilatação anormal da pupila, salivação excessiva, apatia e ausência de produção de urina.
Apesar do estigma envolvendo o acidente, é muito importante que os responsáveis reportem o uso da substância ao veterinário, já que isso facilita o diagnóstico.
O que fazer quando o gato está intoxicado?

Ao perceber que algo não vai bem com o seu animal, a primeira reação dos responsáveis costuma ser o desespero. Mas, em casos de intoxicação, é preciso manter a calma e agir rápido!
Levar o pet ao veterinário imediatamente é a melhor forma de evitar que o quadro de envenenamento se agrave, e pode ser um fator decisivo para salvar a vida do animal.
Antes de sair para o atendimento, tente observar o que pode ter causado o problema, como restos de alimentos tóxicos, embalagens de medicamentos ou inseticidas próximos.
Essa informação ajudará o profissional a definir o tratamento mais seguro para o animal, aumentando as chances do restabelecimento pleno do seu gato.
Enquanto o socorro não chega, algumas atitudes podem ajudar a proteger o felino — e outras devem ser evitadas a todo custo, pois aumentam os riscos para o pet.
O que fazer e o que não fazer em caso de intoxicação em gatos
| O que fazer | O que não fazer |
| Afaste o gato imediatamente da possível fonte do veneno | Não provoque vômito sem orientação veterinária |
| Observe atentamente os sintomas e mudanças de comportamento do animal | Não ofereça leite, água com sal, maçã ou soluções caseiras |
| Quando possível, ligue para um médico-veterinário e peça orientações sobre cuidados emergenciais | Não administre medicamentos humanos ou veterinários sem prescrição veterinária |
| Leve o gato ao veterinário o mais rápido possível | Não espere os sintomas “passarem sozinhos” |
| Separe a embalagem ou nome da substância responsável pelo envenenamento, se souber |
Caso a substância tenha entrado em contato com a pele ou pelagem do animal, um banho com shampoo suave específico para gatos pode ajudar a remover o agente tóxico.
No entanto, o procedimento deve ser feito com segurança e sem estressar o animal.
Segundo a médica-veterinária e professora da Universidade de Sorocaba (Uniso), Bianca Belline, entrevistada pelo G1, atitudes comuns no desespero podem agravar o quadro:
“Algumas ‘dicas caseiras’ como indução do vômito ou ingestão de leite podem agravar ainda mais o quadro. Se houver ingestão de substância corrosiva ou irritativa, risco de convulsões, paciente desacordado ou ingestão há mais de 1 hora, jamais deve-se induzir vômitos.”, explica a profissional.
Quando levar o gato ao veterinário por intoxicação?
A resposta é simples: sempre que houver suspeita de intoxicação, você deve levar o seu felino ao veterinário.
Afinal, mesmo sinais leves podem evoluir rapidamente em gatos, que tendem a esconder dor e desconforto. No entanto, o atendimento deve ser imediato se o gato apresentar:
Quanto mais cedo o tratamento começar, maiores são as chances de recuperação e menores os riscos de complicações graves.
Por isso, em casos de intoxicação, nunca é seguro tratar o gato em casa — e o atendimento veterinário de emergência é sempre o melhor caminho.
Como é feito o diagnóstico de intoxicação felina?
Quando não é possível identificar com certeza a substância responsável pela intoxicação em gatos, o diagnóstico segue um processo clínico baseado na exclusão de doenças.
A investigação começa com a análise do contexto. Dependendo das evidências, o diagnóstico pode ser classificado como confirmado, suspeito ou indeterminado.
O status da investigação guiará as próximas decisões clínicas, e para isso, o profissional poderá utilizar algumas ferramentas, como:
- Anamnese: levantamento detalhado do histórico do gato, incluindo ambiente, acesso a alimentos, plantas, produtos ou medicamentos.
- Avaliação clínica: observação dos sinais físicos e comportamentais, que muitas vezes já indicam a necessidade de iniciar o tratamento imediato.
- Exames complementares: hemograma, bioquímica sanguínea, urinálise e exames de imagem ajudam a descartar outras doenças e avaliar a gravidade do quadro.
- Exame toxicológico: quando há suspeita direcionada, pode identificar a substância envolvida, embora nem sempre seja possível testar todos os agentes.
Quais informações levar ao veterinário em caso de intoxicação felina?
Se você suspeita que o seu gato foi intoxicado por comidas, plantas ou medicamentos, reunir informações claras ajudará o veterinário a agir com mais rapidez e segurança.
Por isso, sempre que possível, informe ao profissional:
- nome exato da substância ou alimento ingerido;
- quando ocorreu a ingestão ou exposição;
- quantidade aproximada ingerida;
- sintomas observados até o momento.
Com essas informações, o veterinário consegue avaliar o risco, indicar as medidas imediatas e prestar os primeiros socorros para gatos envenenados.
Qual é o tratamento para intoxicação em gatos?

O tratamento da intoxicação em gatos varia conforme a substância responsável pelo quadro, a quantidade ingerida e a rapidez do atendimento veterinário.
Logo, não existe um remédio para gato intoxicado que funcione em todos os casos — e o manejo do animal envenenado sempre exige uma avaliação profissional.
Em muitos quadros, o tratamento começa antes mesmo da confirmação do agente tóxico, com foco em estabilizar o paciente e controlar os sintomas.
Outros procedimentos utilizados no tratamento da intoxicação felina são:
- lavagem gástrica, sempre feita por um profissional;
- fluidoterapia, para manter funções vitais e auxiliar na eliminação do tóxico;
- antídotos específicos, quando disponíveis;
- carvão ativado, que ajuda a reduzir a absorção de algumas substâncias;
- protetores gástricos, medicamentos antieméticos e suplementos alimentares;
- monitoramento cardíaco e respiratório, em casos moderados a graves.
Dependendo da gravidade, o gato pode precisar de hemodiálise, oxigenioterapia ou até intubação, permanecendo sob observação contínua até a estabilização do quadro.
Como prevenir a intoxicação em gatos?
Prevenir a intoxicação felina é a forma mais eficaz de proteger a saúde do seu gato, e com ajustes simples na rotina, você pode reduzir significativamente as chances de acidentes.
Para isso, é muito importante que os responsáveis estejam atentos a 5 pontos:
1. Segurança do ambiente para felinos domésticos
O ambiente doméstico concentra boa parte dos riscos de envenenamento felino, como plantas ornamentais perigosas, medicamentos e restos de alimentos.
Logo, a prevenção de intoxicação em pets começa com a segurança da casa, que pode ser adquirida com medidas como:
- Guardar produtos de limpeza, inseticidas e medicamentos em locais altos, fechados e fora do alcance do animal.
- Manter plantas perigosas bem longe do ambiente do animal e descartar folhas ou pétalas caídas de maneira adequada.
- Armazenar o lixo sempre fechado, especialmente quando houver alimentos estragados ou mofados.
- Durante dedetizações, retirar o gato do local e só permitir o retorno quando o ambiente estiver seguro.
“O ideal é evitar qualquer tipo de veneno guardado em casa, mesmo em local protegido, pois descuidos acontecem”, orienta a veterinária Karina Mussolino, em entrevista ao jornal Estadão.
2. Atenção à alimentação
A intoxicação causada pela ingestão de certas comidas também é comum em gatos e pode ser evitada com cuidados simples envolvendo a alimentação felina, incluindo:
- Oferecer uma dieta balanceada à base de ração Super Premium, nas quantidades e horários definidos pelo veterinário.
- Nunca fornecer alimentos crus ao pet, incluindo carnes, peixes, frangos e outras proteínas que possam estar contaminadas.
- Verificar o prazo de validade das rações e petiscos ofertados.
- Armazenar os alimentos destinados ao pet em recipientes fechados, seguindo as normas de conservação recomendadas.
- Garantir que a água oferecida esteja sempre limpa e sem risco de contaminação
Essas medidas reduzem o risco de ingestão de bactérias, toxinas e alimentos impróprios que podem desencadear sintomas de intoxicação alimentar em gatos.
3. Atenção aos comportamentos de risco em felinos
Alguns hábitos naturais dos gatos podem aumentar as chances de intoxicação, especialmente em ambientes externos.
Afinal, gatos são animais predadores e podem ingerir presas ou alimentos infectados em suas caçadas, contribuindo para quadros de intoxicação indireta. Por isso, é importante:
- Limitar o acesso do pet à rua.
- Evitar a caça de pássaros, répteis ou pequenos mamíferos.
- Supervisionar o acesso a quintais, jardins e áreas comuns.
4. Cuidados fora de casa e em passeios
Mesmo felinos que vivem predominantemente dentro de casa podem ser expostos a riscos externos durante passeios e explorações ao ar livre.
Algumas medidas que evitam esse tipo de acidente são:
- Verificar se áreas de acesso estão livres de plantas venenosas.
- Impedir o contato com locais recém-dedetizados ou tratados com pesticidas.
- Manter o gato afastado de calçadas, jardins e áreas com produtos químicos desconhecidos.
5. Consultas preventivas
Além dos cuidados ambientais, check-ups regulares — anuais ou semestrais — são aliados importantes na prevenção de intoxicação felina.
Isso porque durante as consultas, os veterinários podem identificar alterações precoces na saúde do gato e repassar orientações personalizadas de segurança para cada pet.
Quais gatos correm maiores riscos de complicações por intoxicação?

Embora todo quadro de intoxicação seja considerado perigoso para os gatos, os efeitos do envenenamento podem ser ainda mais intensos para alguns felinos.
Segundo a veterinária Karina Mussolino, entrevistada pelo jornal Estadão, a resposta ao veneno varia conforme as características de cada pet, incluindo idade e condição de saúde.
Gatos idosos ou que possuem algum comprometimento de saúde, por exemplo, tendem a apresentar danos maiores, dependendo da quantidade de substância tóxica ingerida.
Isso acontece porque o organismo do animal pode ter mais dificuldade para metabolizar e eliminar a toxina, o que eleva as chances de complicações.
Em relação aos riscos, os filhotes também precisam de atenção extra, já que o tamanho compacto pode potencializar a intoxicação, mesmo com o consumo de pequenas doses.
Já os gatos que vivem em vida livre ou com acesso à rua correm riscos adicionais, principalmente por causa do hábito da caça, que pode levar ao envenenamento indireto.
Perguntas Frequentes (FAQ)
Carvão ativado ajuda a curar gato intoxicado?
O carvão ativado não cura toda intoxicação felina sozinho, mas pode ser decisivo como medida de emergência, desde que usado no contexto certo e com rapidez.
Isso porque o composto ajuda a absorver certas toxinas, como a do chumbinho, mas não é eficaz em todos os quadros de envenenamento e não substitui a avaliação veterinária.
Em quanto tempo um gato intoxicado começa a apresentar sinais?
Um gato intoxicado pode apresentar sintomas nos primeiros minutos após o contato com a substância tóxica ingerida — mas isso varia de toxina para toxina.
Alguns venenos agem de forma muito rápida, e nestes casos, os sinais surgem entre 30 e 40 minutos após a ingestão.
O envenenamento por chumbinho, por exemplo, costuma se desenvolver de maneira rápida e intensa, levando o pet a óbito em pouco tempo sem os primeiros socorros adequados.
Já em intoxicações por plantas como o lírio, vômitos e apatia podem surgir em até 2 horas, evoluindo para insuficiência renal entre 24 e 96 horas.
Quais alimentos são tóxicos para gatos?
Muitos alimentos comuns para humanos são perigosos para os gatos, incluindo chocolate, cebola e alho, uvas e passas, tomate verde e batata crua.
Neste artigo, mapeamos outros alimentos proibidos para felinos. Aproveite para conferir!
Animais podem ficar com sequelas após uma intoxicação?
Sim. Quando o tratamento não é rápido ou adequado, a intoxicação pode deixar sequelas permanentes.
Entre as mais comuns estão insuficiência renal, trombose, alterações neurológicas e mudanças comportamentais.
Mitos e verdades sobre intoxicação em gatos

Leite e maçã cortam intoxicação em gato
Mito. Apesar dessa prática ser muito difundida, ela não tem comprovação científica.
Em entrevista ao G1, o médico-veterinário Marcelo Henrique de Paiva explica que o leite não possui efeito antitóxico e não neutraliza venenos no organismo felino.
Segundo ele, esse conhecimento urbano pode atrasar o atendimento adequado e até agravar o quadro do animal, já que muitos gatos têm sensibilidade digestiva à lactose.
Provocar vômito ajuda em caso de intoxicação em gatos
Mito. Induzir um gato intoxicado ao vômito sem orientação veterinária é muito perigoso e totalmente contraindicado.
Afinal, dependendo da substância ingerida, essa conduta pode causar aspiração, queimaduras no trato digestivo ou piorar os sinais clínicos do animal.
Todas as plantas são perigosas para gatos
Mito. Embora algumas plantas devam ser mantidas longe dos felinos para evitar intoxicações, muitas delas são seguras e podem tornar sua casa mais bonita!
Entre elas, estão o Crisântemo, a Peperômia, a Erva-cidreira, a Hortelã, a Camomila, o Coentro, o Manjericão, o Alecrim e o Tomilho.
O que achou do conteúdo?
A intoxicação em gatos pode evoluir rapidamente, e a informação de qualidade faz toda a diferença para reconhecer os sinais de alerta e agir no momento certo.
Por isso, no Blog da Cobasi, reunimos diversos conteúdos sobre saúde, comportamento e cuidados diários com felinos. Continue explorando nossos artigos e aprofunde seus conhecimentos!
Referências
Cães & Gatos | Entenda como agir em casos de envenenamento de cachorros e gatos
G1 | Especialista explica como identificar envenenamento em pets e o que fazer em casos de intoxicação
Estadão | 5 dicas para evitar que seu cão ou gato seja envenenado
Cats Protection | Poisoning in cats
RSPCA | Poisoning in cats
PubMed | Feline Toxicological Emergencies: When to Suspect and what to do
PetMD | What Things Are Poisonous to Cats?
SciELO | Intoxicação em gatos domésticos no Brasil: toxicantes, sinais clínicos e abordagens terapêuticas
PetMD | Food Poisoning in Cats
Universidade Federal Rural do Rio de Janeiro (UFRRJ) | Intoxicação em gatos domésticos no Brasil – Caracterização dos principais agentes tóxicos e descrição do conhecimento dos tutores
Bionicão Hospital Veterinário | Gato envenenado: sintomas, causas e o que fazer para salvar seu pet rapidamente
PetMD | The 10 Most Common Poisons That Affect Cats
Revista Veterinária | O que é e como identificar uma intoxicação em gatos?
PremieRVet | Diagnóstico de intoxicações em cães e gatos
Whiskas Brasil | Plantas tóxicas para gatos
Cães & Gatos | Veterinária orienta como proceder após identificar envenenamento dos pets
Revista de Educação Continuada em Medicina Veterinária e Zootecnia do CRMV-SP | Intoxicação em gatos atendidos em um hospital veterinário universitário da cidade de São Paulo: análise retrospectiva de 2010 a 2021
Colloquium Agrariae | Alimentos tóxicos para cães e gatos
Pubvet | Intoxicação por plantas ornamentais em cães e gatos
Universidade Federal Rural da Amazônia | Principais fármacos causadores de intoxicação em gatos

