
Se um gato não quer comer, o primeiro passo é avaliar há quanto tempo ele está sem se alimentar e se existem outros sintomas associados.
Em alguns casos, até 24 horas podem estar relacionadas a fatores pontuais. A partir de 48 horas, porém, o risco metabólico aumenta e a avaliação veterinária passa a ser necessária.
As causas variam desde estresse ou mudança na rotina até doenças como pancreatite, distúrbios intestinais, dor na boca ou insuficiência renal.
Diferenciar algo passageiro de um problema de saúde depende principalmente do tempo sem ingestão e dos sinais que aparecem junto.
Na medicina veterinária, a redução do apetite recebe o nome de hiporexia, enquanto a ausência total de ingestão alimentar é chamada de anorexia. Em outras palavras, não é apenas “frescura” ou “manha”: existe uma explicação clínica por trás dessa mudança.
O ponto mais delicado é que o organismo felino não lida bem com jejum prolongado. Mesmo poucos dias sem alimentação adequada podem sobrecarregar o fígado e desencadear complicações metabólicas, especialmente em pets idosos ou acima do peso.
Segundo Saker e Remillard (2010), considera-se risco nutricional quando a ingestão fica abaixo de 50% do necessário por mais de três dias ou quando o animal passa 48 horas sem se alimentar. Por isso, observar o contexto e agir cedo faz diferença.
Ao longo deste conteúdo, você vai entender o que pode estar por trás desse comportamento, como agir nas primeiras horas e quando procurar atendimento veterinário.
Quais sintomas associados exigem atenção imediata?
A falta de apetite quase nunca aparece sozinha. Na maioria das vezes, ela é apenas o primeiro sinal de que algo no organismo não está funcionando como deveria.
Por isso, observar o que acontece junto com a recusa alimentar é o que realmente define a gravidade do quadro. Entre os sinais que merecem atenção imediata estão:
- perda de peso visível ou redução da massa muscular;
- apatia, sonolência excessiva ou diminuição das atividades habituais;
- vômitos repetidos ou diarreia;
- salivação intensa ou mau hálito súbito;
- gengivas amareladas (icterícia);
- aumento ou redução significativa da ingestão de água;
- alterações na urina;
- postura encolhida ou resistência ao toque no abdômen.
Outro ponto importante é o risco de lipidose hepática, conhecida como “fígado gorduroso”. Gatos que ficam muitas horas sem se alimentar podem desenvolver acúmulo de gordura no fígado. Esse quadro pode evoluir rapidamente se não for tratado.
Como os felinos tendem a esconder dor e desconforto, qualquer associação entre falta de apetite e mudança de comportamento deve ser considerada um sinal clínico relevante.
Se o seu gato apresentar um ou mais desses sintomas, a avaliação veterinária deve ser imediata. Dependendo da causa, a carência de nutrientes essenciais pode exigir tratamento rápido.
O que pode ser quando o gato não quer comer?
Para entender o que está por trás do comportamento, é preciso observar o conjunto: energia, peso, ingestão de água, alterações respiratórias, digestivas e mudanças no ambiente.
Abaixo estão os cenários mais relevantes que explicam por que um gato não quer comer e como eles costumam se manifestar.
Gato não quer comer e está emagrecendo
Perceber que o gato que parou de comer e está emagrecendo é um dos sinais mais preocupantes. A perda de peso indica que o organismo já está utilizando reservas corporais para manter funções básicas.
Esse cenário pode estar ligado a doenças como diabetes felina, doença renal crônica, doença inflamatória intestinal, pancreatite ou até neoplasias.
Em alguns casos, o animal pode até continuar comendo pequenas quantidades, mas insuficientes para suprir suas necessidades energéticas.
O risco aumenta porque o jejum prolongado pode levar à lipidose hepática, uma condição em que há acúmulo de gordura no fígado. Essa alteração metabólica pode surgir após poucos dias de ingestão insuficiente, especialmente em animais acima do peso.
Quando há emagrecimento visível associado à hiporexia, o caso deve ser tratado como prioridade clínica.
Gato não quer comer e apresenta sinais respiratórios
Nariz entupido, espirros frequentes, olhos lacrimejando ou secreção nasal podem explicar por que o gato está recusando a ração. O olfato é um dos principais estímulos para o apetite felino. Quando o cheiro da comida não é percebido corretamente, o interesse diminui.
Infecções respiratórias superiores, como aquelas causadas por herpesvírus felino ou calicivírus, são comuns e podem reduzir temporariamente a capacidade de sentir odores. Além disso, a febre associada a essas infecções também contribui para a perda de apetite.
Nesses casos, oferecer ração úmida levemente aquecida pode ajudar temporariamente, mas se os sintomas persistirem, é necessário diagnóstico.
Pólipos nasais e tumores também podem interferir no olfato e causar dor, o que agrava a recusa alimentar.
Dor na boca e problemas dentários
Alterações na cavidade oral estão entre as causas mais comuns de perda de apetite em gatos. A doença periodontal, por exemplo, afeta entre 22% e 30% dos felinos atendidos em hospitais veterinários.
Gengivite, periodontite, estomatite e reabsorção dentária felina provocam dor constante, que se intensifica durante a mastigação. Com o tempo, pode haver perda dentária, dificuldade para triturar o alimento e redução progressiva da ingestão.
Nesses casos, o animal demonstra interesse pela comida, mas interrompe a refeição rapidamente. Pode deixar cair grãos da ração, mastigar apenas de um lado ou evitar alimentos secos.
O responsável pode observar sinais como mau hálito persistente, salivação excessiva, sangramento gengival ou sensibilidade ao toque na região da boca.
Gato não quer comer e está triste ou muito quieto

Quando o responsável percebe que o gato não quer comer e está triste, quieto ou dorme mais do que o habitual, o sinal vai além da seletividade alimentar.
A apatia em felinos costuma indicar dor, febre, inflamação ou desconforto sistêmico. Além disso, são sintomas comuns em casos de infecções, processos inflamatórios e até quadros iniciais de doença renal.
Diferente dos cães, que muitas vezes mantêm o apetite mesmo doentes, os felinos tendem a reduzir a alimentação como primeiro sinal de que algo não vai bem.
Se a falta de apetite vem acompanhada de isolamento, redução nas brincadeiras ou postura encurvada, a avaliação veterinária não deve ser adiada.
Distúrbios gastrointestinais
Quando a falta de apetite vem acompanhada de vômito, dor abdominal, fezes alteradas ou distensão, o trato digestivo deve ser considerado como possível origem do problema.
Na pancreatite, por exemplo, o enjoo e a sensibilidade abdominal fazem com que o animal se aproxime da comida, mas interrompa a refeição rapidamente.
Já na Doença Inflamatória Intestinal (DII), a inflamação da parede intestinal interfere na digestão e favorece períodos alternados de apetite reduzido, perda de peso e fezes alteradas.
Outras condições digestivas também podem levar à hiporexia, especialmente quando há dor ou mal-estar persistente, como:
- gastrite;
- colite;
- constipação;
- corpo estranho.
Sempre que a redução do apetite vier acompanhada de sinais digestivos contínuos, a investigação deve considerar o sistema gastrointestinal como possível foco do problema.
Doença renal e alterações metabólicas
A Doença Renal Crônica (DRC) é uma condição irreversível e mais comum em animais acima de sete anos, sendo uma das causas mais frequentes de gato idoso que não quer comer.
Com a redução progressiva da função dos rins, toxinas passam a se acumular no sangue, provocando náusea, fraqueza e diminuição do apetite.
O responsável pode perceber que o animal começa a urinar em maior volume e perder peso de forma gradual. O pelo pode ficar opaco, há redução da disposição e, em fases mais avançadas, podem surgir vômitos, hálito com odor forte (urêmico) e até úlceras na boca.
Embora não tenha cura, o diagnóstico precoce permite controlar as alterações metabólicas e melhorar significativamente a qualidade de vida, aumentando as chances de estabilização e sobrevida prolongada.
Estresse, ansiedade e mudanças ambientais
O comportamento alimentar dos gatos é profundamente influenciado pela sensação de segurança no ambiente em que vivem.
Alterações na rotina, como mudança de móveis, novos cheiros, troca do local do comedouro ou até a chegada de outro animal, podem ser suficientes para reduzir temporariamente o interesse pela comida.
Em casas com mais de um gato, a dinâmica social merece atenção. A alimentação em grupo pode gerar tensão silenciosa. Mesmo sem confrontos evidentes, disputas sutis por espaço ou proximidade excessiva entre comedouros podem levar um dos animais a comer menos.
Gatos tendem a se alimentar melhor em locais tranquilos, previsíveis e afastados da caixa de areia. Quando o ambiente deixa de transmitir segurança, o padrão alimentar pode mudar.
Se o animal continua ativo, hidratado e sem perda de peso, vale revisar possíveis mudanças recentes na rotina. Porém, caso a recusa alimentar ultrapasse 24 horas ou venha acompanhada de outros sinais clínicos, a avaliação veterinária deve ser considerada.
E quando o gato é filhote e não quer comer?
Em filhotes, a recusa alimentar pode ter causas diferentes das observadas em adultos. Entre 6 e 8 semanas de vida, ocorre a transição do leite materno para alimentos sólidos, e nem todos se adaptam imediatamente às novas texturas e sabores.
Nos primeiros dias após o desmame, é comum que o filhote ainda esteja “aprendendo” a comer. ração úmida em temperatura ambiente ou levemente aquecida costuma ser mais bem aceita, já que o aroma influencia diretamente o interesse pelo alimento.
Além da adaptação alimentar, alguns fatores merecem atenção:
- Infecções respiratórias superiores, que causam congestão nasal e reduzem o olfato.
- Ingestão de objetos estranhos, comum pela curiosidade nessa fase.
- Intimidação por outros animais, principalmente em casas com múltiplos pets.
Se houver espirros, secreção nasal, vômitos, distensão abdominal ou ausência total de ingestão por mais de 24 horas, a avaliação veterinária deve ser imediata.
Atenção, os filhotes desidratam com mais facilidade e toleram ainda menos períodos prolongados sem alimentação.
O que fazer quando o gato não quer comer?

Se seu gato não quer comer, a primeira decisão não é trocar a ração, mas sim observar o contexto: o tempo sem alimentação e os sinais associados definem a urgência.
Antes de tentar estimular o apetite, é preciso primeiro avaliar o estado geral, depois revisar alimento e ambiente, e só então ajustar a estratégia alimentar.
Abaixo, você encontra um guia prático para saber o que observar, quando procurar atendimento veterinário, entre outras dicas importantes!
Observe o estado geral antes de tentar estimular o apetite
Se a recusa alimentar vier acompanhada de outros sintomas, como vômitos repetidos, dor abdominal, aumento da ingestão de água, perda de peso, apatia ou postura encurvada, o foco é identificar a causa clínica.
Os gatos não lidam bem com jejum prolongado. Em animais idosos ou acima do peso, 24 a 48 horas com ingestão insuficiente já justificam avaliação veterinária.
Insistir em petiscos ou trocar marcas da ração pode apenas atrasar o diagnóstico. Se houver qualquer manifestação clínica, a prioridade é consultar um veterinário.
Verifique se o alimento ainda está atrativo
Se o animal permanece ativo, hidratado e sem outros sintomas, vale revisar fatores simples que influenciam diretamente o apetite.
O olfato é determinante para que o gato aceite o alimento. Rações armazenadas por muito tempo após abertas perdem aroma. Alimentos úmidos servidos frios liberam menos cheiro.
Então, alguns pequenos ajustes podem ajudar:
- oferecer porções recém-abertas;
- aquecer levemente a ração úmida;
- manter o alimento armazenado em porta-ração;
- evitar mudanças bruscas de dieta.
A troca de alimento deve ser gradual, especialmente em gatos sensíveis, como destacamos no infográfico abaixo:

Ajuste o ambiente de alimentação
Para os felinos, comer é um comportamento profundamente ligado à segurança. Na natureza, os gatos se alimentam em locais protegidos, onde conseguem observar o entorno e manter a rota de fuga disponível.
Esse padrão instintivo permanece mesmo nos animais que vivem exclusivamente dentro de casa. Por isso, o local da refeição influencia diretamente o consumo. Ambientes com circulação intensa, ruídos frequentes ou proximidade da caixa de areia podem gerar desconforto suficiente para reduzir o apetite.
Um comedouro colocado em área muito exposta ou sem possibilidade de monitoramento visual do ambiente pode ativar estado de alerta, o que interfere na ingestão alimentar.
Na verdade, o ambiente como um todo também impacta. Gatos precisam de áreas elevadas, pontos de descanso seguros e espaços previsíveis.
Quando esses elementos de gatificação não estão presentes, o estresse pode se manifestar de forma sutil, inclusive por meio da diminuição do interesse pela comida.
Segundo orientações do CRMV-PR, recursos como alimentação, água e caixas de areia devem ser distribuídos de forma estratégica e separados entre si.
Casas com mais de um gato exigem manejo individualizado
Em ambientes com múltiplos gatos, a recusa alimentar pode estar ligada à dinâmica social e ao comportamento territorial. Nem todos se sentem confortáveis com a proximidade durante a refeição, o que pode levar um deles a evitar o comedouro.
Em alguns casos, a comida não é o problema — a proximidade é. Sinais discretos ajudam a perceber isso: postura rígida ao comer, vigilância constante do ambiente, aproximação cautelosa do pote ou ingestão acelerada para terminar rapidamente.
De acordo com orientações do CRMV-PR, recomenda-se:
- cada animal deve ter seu próprio ponto de alimentação;
- os comedouros não devem ficar alinhados lado a lado;
- sempre que possível, manter separação visual;
- oferecer locais elevados para indivíduos que se sentem mais seguros em altura.
Organizar os recursos de acordo com a dinâmica do grupo reduz a tensão e favorece o consumo adequado.
Antes de concluir que há doença, vale observar se o animal está apenas evitando conflito. Forçar proximidade pode aumentar a ansiedade e desencadear tanto hiporexia quanto ingestão excessiva.
Respeite o padrão alimentar natural da espécie
Os felinos não foram biologicamente programados para duas grandes refeições ao dia. Na natureza, realizam várias pequenas ingestões distribuídas ao longo das 24 horas.
Oferecer grandes volumes de uma vez pode gerar desinteresse, ingestão apressada, inatividade ou até frustração.
O mais indicado é fracionar a quantidade diária em porções menores, o que tende a favorecer a rotina alimentar e respeitar esse padrão biológico.
Outra estratégia útil é tornar a alimentação mais ativa. Comedouros interativos e brinquedos que liberam alimento após manipulação estimulam o comportamento exploratório e ativam o instinto de caça.
Esse estímulo mental ajuda não apenas no apetite, mas também na redução do estresse e na prevenção da obesidade.
A adaptação deve ser gradual. Modelos muito complexos logo no início podem causar frustração. O ideal é começar simples e aumentar a dificuldade conforme o animal aprende.
Checklist prático: como agir conforme o tempo sem alimentação

Nem toda recusa alimentar exige corrida imediata ao hospital, mas também não deve ser observada por dias sem critério. A diferença entre acompanhar em casa e buscar atendimento está, principalmente, no tempo decorrido e na presença de sinais associados.
Organizar a conduta por intervalo ajuda a evitar dois extremos: negligenciar um quadro clínico ou intervir de forma desnecessária. Abaixo, a orientação prática conforme a evolução do tempo.
Até 24 horas sem comer
Se o animal estiver ativo, hidratado e sem outros sintomas clínicos, é possível observar e revisar fatores ambientais.
- Verificar mudanças recentes na rotina do gato;
- Oferecer alimento fresco ou levemente aquecido;
- Garantir local tranquilo para a refeição;
- Monitorar ingestão de água.
A presença de vômitos, dor, apatia ou perda de peso elimina a fase de observação e indica avaliação veterinária.
Entre 24 e 48 horas
Recusa persistente ou ingestão muito abaixo do habitual já exige atenção médica. Nessa condição, a avaliação deve ser priorizada mesmo que o estado geral pareça estável.
48 horas sem ingestão adequada
Ausência total de alimentação por 48 horas configura situação de urgência, pois o risco metabólico aumenta significativamente. Procure atendimento veterinário imediatamente.
Mais de três dias comendo menos de 50% do habitual
Quando a ingestão é inferior a 50% das necessidades energéticas por mais de três dias caracteriza risco nutricional. Mesmo que o animal ainda esteja comendo pequenas quantidades, a investigação clínica é necessária.
Meu gato não quer comer, quando devo procurar o veterinário?
A avaliação deve ser imediata sempre que a recusa alimentar vier acompanhada de outros sinais clínicos ou quando se ultrapassa 24 horas sem ingerir alimento.
Nessas situações, a busca por atendimento deve ser imediata se houver:
- vômitos repetidos;
- prostração;
- perda de peso visível;
- aumento excessivo da sede;
- dor abdominal;
- alterações urinárias.
Mesmo quando o quadro parece leve, é importante lembrar que os gatos escondem sinais de dor com facilidade. Qualquer alteração persistente no padrão alimentar merece atenção.
O acompanhamento regular com o médico-veterinário também faz parte da prevenção. Avaliações periódicas de peso, condição corporal e exames laboratoriais ajudam a identificar doenças antes que a falta de apetite se torne o primeiro sinal evidente.
O que observar para relatar ao veterinário?
Uma avaliação clínica se torna mais assertiva quando o veterinário tem acesso a um histórico detalhado. Informações que parecem simples podem direcionar hipóteses diagnósticas e reduzir o tempo até a definição da causa.
Na consulta, algumas informações sobre a cronologia dos sintomas (início, progressão e intensidade) fazem diferença:
- Tempo exato de redução ou ausência de ingestão alimentar.
- Presença de vômito, diarreia ou esforço para evacuar.
- Alterações na ingestão de água.
- Mudanças no volume, frequência ou aspecto da urina.
- Perda de peso recente.
- Alterações comportamentais, como isolamento, irritação ou apatia.
- Troca recente de ração ou introdução de novos petiscos.
- Vacinação recente, uso de medicamentos ou procedimentos anestésicos.
Mudanças ambientais também devem ser relatadas: chegada de outro animal, reforma, reorganização do espaço ou alteração na rotina de alimentação.
Como prevenir a perda de apetite em gatos?

Em muitos casos, o gato que não quer comer por fatores que passam despercebidos no dia a dia: alimento mal armazenado, rotina instável, ambiente competitivo ou pequenas alterações comportamentais que não recebem atenção imediata.
Prevenção, nesse cenário, não significa “garantir que nunca aconteça”, mas reduzir variáveis que interferem no comportamento alimentar e identificar mudanças precocemente.
Armazenamento e qualidade do alimento
O olfato é o principal estímulo para que o gato aceite a comida. Quando a ração seca permanece aberta por longos períodos, há oxidação das gorduras e perda gradual de aroma. O alimento pode não estar vencido, mas já não apresenta o mesmo perfil sensorial.
Guardar a ração na embalagem original, dentro de recipientes bem vedados e longe de calor ou umidade excessiva, preserva melhor o valor nutricional e o cheiro.
No caso da ração úmida, o ideal é oferecer porções compatíveis com o consumo imediato. Alimento exposto por muitas horas altera textura e odor, o que pode explicar episódios de gato sem apetite aparentemente sem causa clínica.
Rotina alimentar previsível
Gatos respondem melhor a padrões consistentes. Horários muito irregulares, mudanças frequentes na forma de oferecer a comida ou substituições abruptas de dieta podem gerar insegurança.
Mesmo alterações consideradas pequenas, como trocar o tipo de comedouro ou mudar o local das refeições, podem interferir na ingestão.
Sempre que houver necessidade de transição alimentar, o processo deve ser feito de forma gradual, misturando o alimento antigo ao novo por alguns dias. Essa previsibilidade reduz episódios de hiporexia associados ao estresse.
Ambiente adequado para alimentação
Comer, para o felino, é um comportamento associado à autoproteção. Na natureza, o animal escolhe locais onde consegue observar o entorno e manter rota de fuga disponível.
Dentro de casa, esse padrão permanece. Ambientes barulhentos, circulação intensa de pessoas ou proximidade com a caixa de areia podem reduzir o interesse pela refeição.
Em lares com mais de um gato, a competição silenciosa é um fator relevante. Mesmo sem brigas evidentes, a proximidade entre comedouros pode gerar tensão suficiente para alterar o consumo.
Distribuir recursos de forma estratégica, oferecer pontos separados de alimentação e respeitar a dinâmica social do grupo contribui para manter o padrão alimentar estável.
Acompanhamento clínico preventivo
Muitas doenças que levam à falta de apetite em gatos evoluem de forma silenciosa. Doença renal crônica, alterações inflamatórias intestinais e distúrbios metabólicos podem estar presentes antes da recusa alimentar se tornar evidente.
Avaliações periódicas permitem monitorar peso, condição corporal e alterações laboratoriais. Em gatos idosos, esse acompanhamento é ainda mais importante, pois a redução do apetite pode ser o primeiro sinal clínico perceptível.
Detectar precocemente reduz o risco de complicações, como a lipidose hepática associada a jejum prolongado.
Dúvidas frequentes sobre gato que não quer comer

Quanto tempo um gato pode ficar sem comer?
Os gatos não lidam bem com jejum prolongado. Em muitos casos, 24 horas sem comer já merecem atenção, ainda mais se o pet for idoso, obeso ou tiver algum histórico de doença.
O problema não é apenas a fome em si, mas o que o corpo começa a fazer para compensá-la. O fígado pode ser sobrecarregado pelo uso rápido das reservas de gordura, o que favorece o desenvolvimento de lipidose hepática.
Faz 3 dias que meu gato não come. O que fazer?
Três dias sem alimentação adequada deixam de ser observação e passam a ser sinal de alerta clínico. Mesmo pequenas porções ingeridas não compensam o déficit energético acumulado nesse período.
Nesse cenário, não é indicado insistir apenas em trocar a ração ou oferecer petiscos. A prioridade deve ser avaliação veterinária para identificar a causa.
O que é bom para abrir o apetite do gato?
Se o animal estiver ativo e sem outros sintomas, alguns ajustes simples podem ajudar temporariamente. Alimento úmido levemente aquecido libera mais aroma, por exemplo. Oferecer porções frescas e garantir um ambiente tranquilo também faz diferença.
Essas estratégias funcionam apenas quando o motivo é leve ou ambiental. Se houver dor ou mal-estar interno, o corpo naturalmente bloqueia o apetite. Inclusive, é importante destacar que forçar a comida não muda essa resposta biológica dos gatos.
Meu gato não quer comer ração. Posso dar comida de humano?
Não é recomendado substituir a ração por alimentos da rotina humana. Muitos ingredientes comuns, como alho, cebola e temperos, são tóxicos para gatos. Além disso, dietas improvisadas não fornecem nutrientes essenciais na proporção correta.
Se houver recusa persistente, o caminho mais seguro é entender o motivo e não mascarar o sintoma.
Meu gato não quer comer e parece triste. Pode ser só emocional?
Mudanças emocionais podem influenciar o apetite, especialmente após alterações na rotina ou perda de vínculo social. No entanto, gatos costumam reduzir a alimentação também quando estão com dor ou desconforto físico.
A combinação de apatia e falta de apetite deve ser interpretada com cautela. Se persistir por mais de um dia ou vier acompanhada de outros sinais, a avaliação veterinária é indicada.
O que significa inapetência em gatos?
Inapetência é a redução do apetite. Pode se manifestar como menor quantidade ingerida, seletividade exagerada ou interrupção rápida da refeição.
Alguns animais se aproximam do alimento, cheiram e se afastam. Outros mastigam de um lado só ou deixam cair grãos da ração.
De quantas em quantas horas o gato deve comer?
Não existe um intervalo rígido. O padrão natural dos felinos é fazer várias pequenas refeições ao longo do dia. O mais importante é que haja ingestão diária adequada.
Como é o hábito alimentar natural dos gatos?
Mesmo domesticados, os gatos mantêm características de predadores solitários. Na natureza, caçam pequenas presas e se alimentam em porções distribuídas ao longo das 24 horas.
Refeições menores, distribuídas ao longo do dia e oferecidas em locais seguros, costumam respeitar melhor a biologia da espécie.
A perda de apetite é um sintoma de FeLV em gatos?
Sim, a leucemia felina (FeLV) pode começar com sinais discretos, como perda de apetite, emagrecimento progressivo, apatia ou infecções recorrentes.
Esses sintomas não são exclusivos da doença, por isso o diagnóstico depende de testes específicos. A falta de apetite isolada não confirma FeLV, mas pode fazer parte do quadro.
O gato pode parar de comer por causa da PIF felina?
A PIF costuma causar febre persistente, perda de peso, redução do apetite e alterações no comportamento. Em alguns casos, pode haver aumento abdominal ou sinais neurológicos. Como os sintomas variam bastante, a confirmação depende de exames complementares.

Deu para notar que a recusa alimentar em gatos nunca deve ser tratada apenas como seletividade. Tempo sem ingestão, presença de sintomas associados e perfil do animal (idade, peso e histórico clínico) são os principais critérios para definir urgência.
O conteúdo te ajudou? No Blog da Cobasi, entendemos que a alimentação vai muito além de simplesmente oferecer ração. É indicador clínico, é comportamento e é parte essencial do bem-estar felino.
Temas relacionados à alimentação dos gatos exigem atenção, porque envolvem nutrição adequada, prevenção de doenças e compreensão do comportamento felino.
Aqui você encontra conteúdos completos e confiáveis sobre saúde, alimentação e cuidados que ajudam a manter seu gato saudável, ativo e com a nutrição em dia. Até a próxima!

