A conjuntivite canina é uma inflamação da conjuntiva, uma membrana fina que reveste a parte interna das pálpebras, a região branca dos olhos e a terceira pálpebra dos cães.
Essa estrutura tem papel essencial na proteção ocular e na manutenção da lubrificação dos olhos, e quando inflamada pode causar dor, coceira, irritação e alterações na visão do animal.
A doença ocular é comum em cães de todas as idades e raças e costuma estar relacionada a fatores do dia a dia, como ressecamento ocular, poeira, poluição, vento, cheiros fortes, produtos químicos, alergias, traumas ou alterações na produção de lágrimas.
Entre os sinais mais frequentes da conjuntivite em cachorro estão olhos vermelhos, pálpebras inchadas, lacrimejamento excessivo, secreção ocular, dificuldade para manter os olhos abertos, coceira e sensibilidade à luz.
Em muitos casos, esses sinais começam de forma leve, o que pode levar o responsável pelo cachorro a subestimar o problema. No entanto, a conjuntivite canina não deve ser encarada como algo simples ou passageiro.
Quando não tratada corretamente, a inflamação pode evoluir e comprometer a visão do animal, inclusive com risco de cegueira. O Conselho Regional de Medicina Veterinária de São Paulo (CRMV-SP) também esclarece que a conjuntivite que acomete os cães não é a mesma que afeta os humanos, sendo rara a transmissão entre espécies.
Neste artigo, contamos com a colaboração da médica-veterinária Nathália Martins (CRMV-SP 39844), que compartilhou orientações clínicas sobre as causas da conjuntivite canina, como identificar os sintomas e quais cuidados ajudam a preservar a saúde ocular do cachorro.
A conjuntivite canina pode ter diferentes causas e costuma estar relacionada a irritações do dia a dia, alterações na lubrificação dos olhos ou condições de saúde que deixam a região ocular mais sensível.
Segundo a médica-veterinária Nathália Martins, fatores ambientais e características do próprio cachorro estão entre os principais responsáveis pelo desenvolvimento da inflamação ocular.
A seguir, a especialista explica as causas mais comuns observadas na rotina clínica:
Muitos casos de conjuntivite começam a partir de situações comuns do dia a dia, que acabam irritando a região dos olhos, como:
Esses fatores irritam a conjuntiva e podem causar inflamação, especialmente em cães que já têm os olhos mais sensíveis.
Uma das causas mais relevantes da conjuntivite em cães é a ceratoconjuntivite seca, condição em que há produção insuficiente ou de má qualidade das lágrimas.
Como as lágrimas fazem parte da proteção natural dos olhos, a redução da lubrificação deixa a superfície ocular mais vulnerável a inflamações e infecções.
Cães com olho seco costumam apresentar secreção mais espessa, olhos avermelhados e quadros inflamatórios recorrentes. Algumas raças, como Shih Tzu, Pug e Bulldog Inglês, têm maior predisposição para esse problema.
A Conjuntivite canina também pode ser causada por reações alérgicas, que não são contagiosas. Nesses casos, o contato com ácaros, pólen, plantas irritantes, picadas de insetos ou produtos domésticos pode desencadear a inflamação.
Geralmente, os dois olhos são afetados ao mesmo tempo, e o quadro tende a melhorar rapidamente quando a causa é identificada e controlada.
As infecções primárias conjuntivas são menos comuns em cães. Na maioria das vezes, quando há bactérias ou vírus envolvidos, eles surgem como infecção secundária, aproveitando um olho já irritado, ressecado ou lesionado.
Nesses casos, é comum a presença de secreção amarelada ou esverdeada e maior desconforto ocular.
Poeira, areia, pequenos fragmentos de plantas ou até pelos podem ficar presos sob a pálpebra ou na terceira pálpebra, causando inflamação de início rápido, geralmente em apenas um olho. Traumas na região ocular também podem desencadear conjuntivite.
A conjuntivite também pode aparecer como um dos sinais clínicos de doenças sistêmicas, como a cinomose. Nesses casos, a inflamação ocular costuma estar associada a outros sintomas, como alterações respiratórias, neurológicas ou gastrointestinais, e não melhora sem o tratamento da doença de base.
A conjuntivite canina costuma vir acompanhada de inchaço, vermelhidão e muita coceira nos olhos. Esse detalhe é importante porque o ressecamento ocular isolado não provoca edema, como acontece nos quadros de conjuntivite.
Um olho apenas mais seco ou levemente irritado pode causar desconforto, mas sem inchaço visível da região ocular. Já quando há inflamação da conjuntiva, é comum observar olhos mais inchados, sensíveis e com alterações evidentes na aparência.
Na maioria dos casos, os principais sinais que indicam conjuntivite em cachorro incluem:
Nem todo cachorro com olho vermelho está, de fato, com conjuntivite. Os sinais clínicos desta inflamação são considerados inespecíficos, ou seja, podem aparecer em outras doenças oculares.
Por isso, embora a conjuntivite deixe os olhos avermelhados, há situações em que a vermelhidão tem outra causa, inclusive condições mais graves.
Problemas como úlcera de córnea, uveíte, glaucoma, olho seco e alterações nas pálpebras podem provocar sintomas semelhantes, como vermelhidão, dor, secreção e dificuldade para manter os olhos abertos.
Cada uma dessas condições exige avaliação e tratamento específicos, o que torna arriscado tentar identificar o problema apenas observando os sinais externos.
Então, sempre que houver qualquer inflamação ocular, a avaliação veterinária é fundamental para confirmar a causa e indicar o tratamento correto, evitando complicações e riscos à visão do cachorro.
A conjuntivite em cães exige atenção imediata desde os primeiros sinais. De acordo com a médica-veterinária Nathália: “Isso acontece porque não é possível saber apenas observando os olhos se a inflamação é simples ou se existe um problema mais grave associado, como uma úlcera de córnea”.
A especialista alerta que, quando o responsável percebe alterações nos olhos e decide esperar para ver se o quadro melhora sozinho, o atraso no atendimento pode causar danos graves à visão.
Em casos de lesão na córnea, por exemplo, a progressão do problema pode ser rápida se não houver avaliação veterinária imediata.
A conjuntivite pode começar com sinais leves, como vermelhidão e coceira, mas tende a se agravar quando a causa não é identificada e tratada corretamente.
A inflamação contínua favorece infecções secundárias e pode estar associada a alterações mais profundas do olho. Sem diagnóstico e tratamento adequados, o quadro pode evoluir para:
Qualquer cachorro pode desenvolver conjuntivite, mas alguns apresentam maior predisposição devido a características anatômicas ou condições associadas.
“Cães braquicefálicos tendem a desenvolver conjuntivite com mais facilidade porque a anatomia do crânio deixa os olhos mais expostos e menos protegidos, favorecendo o contato com poeira, vento e outros agentes irritantes”, explicou a veterinária.
Entre as raças mais predispostas estão:
Além dos braquicefálicos, outras raças também podem apresentar conjuntivite com mais frequência. Cães como Poodle, Cocker Spaniel e Retrievers costumam ter maior exposição ocular ao ambiente externo ou pelos ao redor dos olhos, fatores que aumentam o risco de irritações e inflamações oculares.
Em cães com olho seco ou alterações na produção de lágrimas, a conjuntivite pode se tornar recorrente, já que a proteção natural dos olhos permanece comprometida.
Nesses casos, o acompanhamento com um médico-veterinário oftalmologista ajuda a controlar o problema e a reduzir o risco de complicações.
“Dependendo do fator causador da conjuntivite, o cachorro pode sofrer perda visual permanente quando o problema não é tratado corretamente ou quando o atendimento é adiado”, respondeu a Nathalia Martins.
Dependendo da causa da inflamação, a conjuntivite em cães pode se manifestar de formas diferentes:
A conjuntivite alérgica ocorre quando os olhos reagem a substâncias que causam alergia. Esse tipo não é contagioso e costuma estar relacionado ao contato com:
Geralmente, os dois olhos são afetados ao mesmo tempo, e o quadro pode surgir de forma recorrente, especialmente em cães com histórico de alergias. Quando a causa é identificada e controlada, a inflamação tende a melhorar rapidamente.
A conjuntivite infecciosa pode ter origem viral ou bacteriana, embora, em cães, as infecções primárias da conjuntiva sejam menos comuns. Na maioria das vezes, bactérias ou vírus se aproveitam de um olho já irritado, ressecado ou lesionado.
Conjuntivite bacteriana: ocorre quando bactérias se multiplicam na região ocular, levando a secreção mais espessa, geralmente amarelada ou esverdeada, e maior desconforto.
Conjuntivite viral: pode estar associada a doenças como a cinomose e costuma vir acompanhada de lacrimejamento intenso e secreção. A recuperação pode ser mais lenta, dependendo da doença de base.
O diagnóstico da conjuntivite em cães começa com a avaliação clínica dos olhos, mas não se limita apenas à observação externa.
A veterinária Nathália Martins explica que o primeiro passo é examinar cuidadosamente o aspecto da mucosa ocular, avaliando sinais como vermelhidão, inchaço, secreção e sensibilidade.
Durante a consulta, o veterinário também investiga se a conjuntivite é primária ou se está associada a outro problema de saúde, já que a inflamação ocular pode ser consequência de doenças sistêmicas ou alterações mais profundas nos olhos.
Em muitos casos, o exame clínico já traz informações importantes. No entanto, dependendo dos sinais apresentados, alguns exames podem ser necessários para confirmar a causa da inflamação e descartar problemas mais graves:
De acordo com Nathália Martins, esse teste é fundamental sempre que há dor intensa, secreção persistente ou piora rápida dos sinais.
Por isso, antes de iniciar qualquer tratamento, é essencial que o cachorro passe por um exame oftalmológico adequado, evitando o uso de medicamentos inadequados que podem agravar o quadro.
Para ajudar no diagnóstico, o responsável pelo cachorro pode levar algumas informações importantes para a consulta:
Essas informações ajudam o veterinário a entender melhor o contexto do problema e a escolher o tratamento mais adequado.
Na maioria dos casos, a conjuntivite em cães tem cura quando tratada corretamente. Muitos quadros melhoram em 7 a 10 dias, mas alguns podem levar mais tempo, especialmente quando há doenças associadas ou olho seco.
Em cães com condições crônicas, a conjuntivite pode se tornar recorrente, exigindo acompanhamento ao longo da vida para evitar complicações.
O tratamento da conjuntivite canina depende diretamente da causa. Após o diagnóstico, o veterinário pode indicar diferentes abordagens, que variam conforme o tipo de inflamação:
Quando a causa é alérgica, o foco do tratamento é controlar a reação e reduzir a inflamação. Podem ser indicados:
Nos casos infecciosos, o tratamento depende do agente envolvido:
Quando a conjuntivite está relacionada à ceratoconjuntivite seca, o tratamento pode ser contínuo e inclui:
Grande parte dos cuidados no tratamento da conjuntivite canina envolve a limpeza adequada dos olhos e a administração correta dos colírios prescritos. Com a orientação do médico-veterinário, esses cuidados costumam ser realizados em casa pelo responsável pelo cachorro.
Para ajudar nessa rotina, reunimos orientações práticas que facilitam o dia a dia, especialmente nos casos em que há secreção mais espessa, crostas ao redor dos olhos ou pálpebras grudadas, situações comuns durante a inflamação ocular.
Esses erros podem irritar ainda mais a conjuntiva e aumentar o risco de complicações.
Aplicar colírio pode ser difícil no início, mas algumas estratégias deixam o processo mais rápido e seguro. O ideal é fazer isso em um ambiente calmo, com o cachorro bem apoiado e sem pressa.
Se houver secreção, faça uma limpeza leve ao redor dos olhos para evitar que a sujeira atrapalhe a ação do medicamento.
Com uma mão, apoie o focinho e use o polegar para puxar suavemente a pálpebra inferior, formando uma pequena “bolsinha”.
Essa associação positiva ajuda o animal a ficar mais tranquilo e facilita as próximas aplicações do colírio.
Sim, durante o tratamento, o veterinário pode indicar o colar elizabetano para impedir que o cachorro coce ou esfregue os olhos. Esse cuidado ajuda a evitar piora da inflamação e reduz o risco de machucar a córnea.
A médica-veterinária Nathália Martins alerta que alguns erros são bastante comuns no tratamento da conjuntivite canina e podem colocar a saúde ocular do cachorro em risco.
Para orientar melhor o responsável pelo animal, a especialista destaca o que não deve ser feito:
Nem todos os casos de conjuntivite podem ser evitados, mas existem alguns cuidados simples no dia a dia que ajudam a reduzir significativamente o risco de inflamações oculares.
Como a conjuntiva é uma estrutura sensível e está em contato direto com o ambiente, a prevenção está muito ligada à rotina, à higiene e às condições em que o cachorro vive.
“Ambientes com muita poeira, fumaça, vento constante ou ar-condicionado direto no rosto favorecem o ressecamento ocular e aumentam o risco de conjuntivite”, alerta.
Pensando nisso, alguns cuidados importantes para prevenir a conjuntivite em cães incluem:
A especialista reforça ainda que “manter a lubrificação adequada dos olhos, quando indicada pelo veterinário, e acompanhar cães que já tiveram episódios de conjuntivite ajuda a evitar recorrências e complicações futuras”.
A prevenção, portanto, está ligada à observação diária, ao cuidado contínuo e ao acompanhamento veterinário, medidas que ajudam a proteger a saúde ocular e a visão do cachorro a longo prazo.
A conjuntiva é uma mucosa fina e sensível que reveste o interior das pálpebras, a parte branca dos olhos e a terceira pálpebra dos cães.
Ela funciona como uma barreira de proteção, ajudando a defender os olhos contra poeira, fumaça, microorganismos e outros agentes irritantes presentes no ambiente.
A conjuntiva possui muitos vasos sanguíneos e células de defesa. Por isso, qualquer irritação provoca uma resposta rápida do organismo, deixando os olhos vermelhos, inchados e sensíveis.
A conjuntiva está diretamente ligada ao filme lacrimal, responsável por lubrificar e proteger os olhos. Parte dessa proteção depende de células da própria conjuntiva, que ajudam a manter a lágrima estável.
Quando há redução da lubrificação ou alteração na qualidade das lágrimas, os olhos ficam mais expostos e vulneráveis à inflamação.
Os olhos dos cães possuem uma flora bacteriana natural, formada por microorganismos que convivem normalmente sem causar problemas.
O desequilíbrio acontece quando há trauma, ressecamento ou redução das defesas locais, permitindo que essas bactérias se multipliquem e agravem a inflamação.
A conjuntivite causada por alergias, irritações ou alterações na lubrificação não é contagiosa. Quando há infecção bacteriana ou viral, a transmissão entre cães pode ocorrer, mas é menos comum.
Já a transmissão para humanos é considerada extremamente rara, conforme esclarecem entidades veterinárias. Ainda assim, é recomendado lavar bem as mãos após manipular um cachorro com secreção ocular e evitar contato direto com os olhos.
Não existe vacina específica para conjuntivite. No entanto, manter o protocolo de vacinação para cães em dia é fundamental, pois doenças como a cinomose podem ter a conjuntivite como um dos sinais clínicos.
Alguns quadros leves podem apresentar melhora espontânea, mas isso não significa que o problema deva ser ignorado. Sem avaliação veterinária, existe o risco de a inflamação se agravar ou mascarar doenças mais sérias, como úlcera de córnea ou glaucoma.
Em quadros simples, a melhora costuma ser percebida a partir de 3 a 5 dias após o início do tratamento indicado pelo veterinário. Casos mais complexos ou associados a doenças de base podem levar mais tempo e exigir acompanhamento contínuo.
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