Ver um gato vomitando sempre acende um alerta, e com razão. Esse é, inclusive, um dos motivos mais frequentes que levam os felinos a consultas veterinárias, especialmente em atendimentos de urgência, justamente por estar associado a diferentes alterações de saúde.
Em alguns casos, o vômito pode ter origem em situações pontuais, como a eliminação de bolas de pelo. Em outros, porém, pode indicar problemas digestivos, metabólicos, infecciosos ou hormonais, como gastrite, pancreatite, insuficiência renal, doenças hepáticas e intolerâncias alimentares.
Por isso, vale um ponto importante: vomitar não é uma doença, mas um sinal clínico de que algo no organismo do gato não está funcionando como deveria.
Do ponto de vista veterinário, o vômito é um reflexo complexo, controlado pelo sistema nervoso, que pode ser classificado de forma geral em dois tipos:
Essa distinção é fundamental, porque as causas, os exames indicados e a conduta terapêutica variam bastante conforme a evolução do quadro e os sinais associados.
Além disso, os gatos se desidratam muito mais rápido do que os humanos. Enquanto um adulto saudável pode levar cerca de dois a três dias para entrar em um quadro preocupante de desidratação.
Um gato pode apresentar sinais em menos de 24 horas, especialmente se estiver vomitando com frequência, recusando água ou reduzindo a alimentação.
Por isso, saber o que observar, quando acompanhar em casa e quando procurar ajuda veterinária faz toda a diferença. Com orientação adequada, alguns quadros podem ser monitorados com segurança, evitando estresse desnecessário para o animal.
Em outros casos, reconhecer os sinais de alerta logo no início pode ser decisivo para prevenir complicações mais graves.
Ao longo deste guia, você vai entender por que os gatos vomitam, quais são as causas mais comuns, como identificar quando o quadro é mais sério e o que fazer em cada situação, sempre com foco na saúde e no bem-estar do seu pet.
Sim, gatos podem vomitar ocasionalmente, e isso nem sempre indica um problema de saúde. Até mesmo gatos considerados saudáveis podem apresentar episódios isolados ao longo da vida, principalmente relacionados ao funcionamento natural do sistema digestivo.
O ponto principal não é apenas o ato de vomitar, mas com que frequência isso acontece, como é o vômito e como o gato se comporta antes e depois do episódio, e principalmente, outros sintomas associados que surjam.
Em geral, vômitos ocasionais e isolados podem ser considerados leves quando:
Um exemplo comum são as bolas de pelo, que costumam aparecer como massas alongadas de pelos misturados a secreções digestivas. Quando isso ocorre de forma pouco frequente, geralmente não representa motivo de preocupação.
Também podem acontecer episódios isolados relacionados a:
Nessas situações, o organismo tende a se autorregular, e o vômito não se repete.
Não existe um número exato que seja considerado “normal” para todos os gatos, já que cada animal tem características individuais. Ainda assim, como orientação geral:
Se o gato passa a vomitar com regularidade, mesmo que pareça “bem” no restante do tempo, isso já merece atenção.
O vômito crônico não deve ser subestimado, pois pode estar associado a condições como intolerância alimentar, gastrite, doenças inflamatórias intestinais, alterações renais, hepáticas ou outras enfermidades que exigem diagnóstico.
Outro sinal importante é a presença de sangue no vômito, alteração na cor (amarelado intenso, esverdeado ou escuro), além de sintomas como apatia, fraqueza, perda de apetite, diarreia ou aumento da sede.
O vômito em gatos pode acontecer por diversos motivos, desde situações simples do dia a dia até doenças que exigem acompanhamento veterinário. Comer rápido demais, ingerir algo inadequado ou apresentar alterações em órgãos importantes são alguns exemplos.
Mais importante do que um episódio isolado é observar com que frequência o vômito acontece, como é o conteúdo eliminado e como o gato se comporta antes e depois. Esses detalhes ajudam a entender se o quadro tende a ser leve ou se merece investigação.
De forma geral, as principais causas de vômito em gatos incluem:
Os gatos passam boa parte do tempo se lambendo para manter a higiene. Nesse processo, acabam ingerindo pelos soltos que seguem para o estômago.
Quando o organismo não consegue eliminá-los pelas fezes, ocorre o acúmulo que forma o tricobezoar, conhecido como bola de pelo.
Esse acúmulo pode causar ânsia, engasgos e vômito com massas alongadas de pelo, geralmente misturadas a secreções digestivas.
A eliminação ocasional pode acontecer em alguns gatos, mas episódios frequentes merecem atenção, especialmente quando vêm acompanhados de apatia, perda de apetite ou dificuldade para evacuar.
Segundo estudo da veterinária Martha Cannon, especialista em medicina felina, a frequência e o volume das bolas de pelo ajudam a diferenciar episódios pontuais de problemas gastrointestinais mais sérios.
Observações clínicas em veterinárias especializadas em felinos indicam que:
Esses dados mostram que bolas de pelo podem acontecer, mas não devem ser consideradas normais quando se tornam frequentes ou quando o gato passa a vomitar com regularidade.
A gastrite felina é a inflamação da mucosa do estômago e pode surgir por fatores como estresse, jejum prolongado, mudanças bruscas na alimentação, ingestão de substâncias inadequadas ou infecções.
Os sinais costumam incluir náusea, salivação excessiva, desconforto abdominal e redução do apetite. Em alguns casos, o tutor percebe vômito amarelado, indicando a presença de bile (comum quando o estômago permanece vazio por longos períodos).
Na prática clínica, a gastrite pode se apresentar de duas formas:
Em quadros persistentes, podem surgir letargia, dor abdominal e, em situações mais avançadas, presença de sangue no vômito.
Alguns gatos apresentam sensibilidade a determinados ingredientes da alimentação, o que pode causar irritação no trato digestivo e levar a vômitos recorrentes. Esse tipo de reação pode se desenvolver ao longo do tempo. Os sinais mais comuns incluem:
Mudanças rápidas de ração, introdução frequente de petiscos ou oferta de alimentos inadequados podem contribuir para o quadro.
Estudos descrevem que essas reações adversas aos alimentos se dividem em:
Em ambos os casos, a repetição dos sintomas é o principal indicativo de envolvimento alimentar.
A verminose em gatos é causada por parasitas intestinais que se alojam no trato digestivo. Podem incluir vermes redondos, vermes chatos e, em alguns casos, parasitas com impacto respiratório.
É uma causa comum de vômito, especialmente em gatos filhotes, mas também pode afetar adultos sem vermifugação regular ou com acesso à rua. Além do vômito, o pet pode apresentar quadros de:
Em infestações mais intensas, é possível visualizar vermes no vômito, geralmente com aparência de fios claros ou esbranquiçados. Isso indica que a infestação está avançada e exige avaliação veterinária.
O pâncreas produz enzimas essenciais para a digestão. Quando esse órgão inflama, ocorre a pancreatite, que pode causar náusea, vômitos, perda de peso e diminuição do apetite.
Em gatos, a pancreatite costuma estar associada a diabetes, obesidade, doença inflamatória intestinal e alterações hepáticas ou biliares. Os sinais tendem a ser discretos e o vômito nem sempre está presente, o que dificulta a identificação.
Sintomas como apatia, falta de apetite, letargia e desidratação são mais comuns. O diagnóstico geralmente exige exames complementares, com destaque para a ultrassonografia abdominal.
A doença renal é uma condição comum em gatos, especialmente nos mais velhos, que compromete a capacidade dos rins de filtrar e eliminar toxinas do organismo.
Em muitos casos, o vômito é um dos primeiros sinais percebidos pelo tutor, podendo surgir antes mesmo do diagnóstico.
Nos quadros de insuficiência renal, o vômito está relacionado ao acúmulo de toxinas no sangue, que estimulam áreas do cérebro responsáveis pela sensação de náusea. Por isso, os episódios tendem a ser persistentes e progressivos.
Na forma crônica, a mais frequente em gatos, também podem ser observados sinais como diminuição do apetite, aumento da ingestão de água, aumento do volume urinário, letargia e perda de peso ao longo do tempo.
Gatos podem ingerir plantas tóxicas, produtos de limpeza, medicamentos ou alimentos impróprios. O vômito surge como uma tentativa do organismo de eliminar a substância ingerida.
Dependendo do agente envolvido, podem ocorrer salivação intensa, fraqueza, tremores ou alterações neurológicas, exigindo atenção imediata.
Mudanças na rotina, ambiente pouco estimulante ou alterações sociais podem gerar estresse e ansiedade, refletindo diretamente no sistema digestivo.
Nesses casos, o gato pode apresentar náusea, ânsia e vômitos recorrentes, mesmo sem uma causa física identificável, geralmente acompanhados de mudanças sutis no comportamento.
A ingestão de corpos estranhos é relativamente comum em gatos, especialmente durante brincadeiras ou comportamentos exploratórios. Barbantes, fitas, fios, ossos e pedaços de plantas estão entre os objetos mais frequentemente envolvidos.
Quando ocorre uma obstrução no trato digestivo, os sinais podem variar conforme o local e o grau do bloqueio, mas costumam incluir vômito persistente ou intermitente, perda de apetite, dor abdominal, desidratação e emagrecimento.
Em alguns casos, objetos lineares podem ficar presos sob a língua, algo que pode ser identificado durante a avaliação clínica.
O Physaloptera é um parasita que se aloja no estômago dos gatos e pode causar vômito como principal, e às vezes único sinal clínico. A infecção ocorre quando o gato ingere insetos ou pequenos animais que atuam como hospedeiros intermediários.
Em muitos casos, o gato aparenta estar saudável, e exames laboratoriais podem não mostrar alterações significativas. Ainda assim, parasitas podem ser observados no vômito, o que costuma ser o principal indício da infecção.
A presença de eosinófilos em exames de sangue pode indicar resposta do organismo ao parasita.
Existem situações em que o vômito deixa de ser pontual e passa a exigir avaliação veterinária, especialmente quando aparece com outros sinais ou se repete em curto intervalo de tempo.
De forma geral, o vômito em gatos deve ser visto como sinal de alerta quando apresenta uma ou mais das situações abaixo:
Episódios que acontecem várias vezes no mesmo dia, se repetem por dias consecutivos ou ocorrem em poucas horas não devem ser considerados normais.
Além de indicar um possível problema de saúde, o vômito frequente pode levar rapidamente à desidratação, principalmente quando vem acompanhado de diarreia.
O vômito com sangue sempre merece atenção imediata. O sintoma pode aparecer como:
Em ambos os casos, trata-se de uma situação que não deve ser observada em casa e exige avaliação veterinária o quanto antes.
O quadro se torna mais preocupante quando o gato vomita e também apresenta:
Esses sinais indicam que o organismo está sendo afetado de forma mais ampla, e não apenas o sistema digestivo.
Gatos com dor abdominal podem apresentar postura curvada, chorar ou reagir ao toque na região da barriga. Esse tipo de comportamento sugere desconforto significativo e pode estar relacionado a inflamações, obstruções ou outras condições graves.
Mudanças claras no comportamento, como ficar prostrado (mais quieto que o normal, sem interesse pelo ambiente), se isolar ou deixar de responder a estímulos habituais, são sinais importantes.
Quando o vômito vem acompanhado dessas alterações, o quadro não deve ser subestimado.
Em filhotes, gatos idosos ou animais com doenças crônicas, como insuficiência renal, diabetes ou problemas hepáticos, qualquer episódio de vômito deve ser avaliado com mais cautela, mesmo quando parece leve.
Reconhecer esses sinais ajuda o tutor a agir no momento certo, protegendo a saúde do gato sem excesso de preocupação, mas também sem atrasar uma avaliação necessária.
Isso é ainda mais importante porque os gatos podem desenvolver quadros graves de desidratação em até 24 horas, especialmente quando estão vomitando, o que pode agravar rapidamente a situação.
Além da frequência e dos sintomas associados, observar a cor e o aspecto do vômito é um dos primeiros passos para entender o que pode estar acontecendo com o gato.
A tabela abaixo resume os tipos mais comuns de vômito em gatos, o que cada aspecto pode indicar e quando o sinal merece maior cuidado.
| Aparência do vômito | O que pode indicar | Quando se preocupar |
| Transparente ou com espuma branca | Saliva ou ácido gástrico, estômago vazio, náusea leve ou bolas de pelo | Se for frequente, ocorrer em jejum prolongado ou vier com apatia |
| Amarelo | Presença de bile, vômito com o estômago vazio ou náusea associada a jejum | Se acontecer repetidamente ou junto de perda de apetite |
| Verde | Bile em maior quantidade ou ingestão de plantas | Se não houver acesso a plantas ou se for recorrente |
| Marrom escuro ou preto | Sangue digerido ou possível sangramento gastrointestinal | Emergência veterinária |
| Vermelho vivo ou rosado | Sangue recente, irritação, úlceras ou trauma | Avaliação veterinária imediata |
| Com alimento não digerido | Digestão interrompida, comer rápido ou refluxo | Se ocorrer com frequência ou em grande volume |
| Com bolas de pelo | Eliminação de tricobezoar | Normal apenas se for esporádico |
| Com vermes visíveis | Infestação parasitária intensa | Avaliação veterinária necessária |
Ao perceber que o gato vomitou, o mais importante é agir com calma e observação, evitando medidas precipitadas que possam piorar o quadro.
O primeiro cuidado costuma gerar dúvida: oferecer comida e água, dar algum remédio ou dar um tempo para o organismo do gato se recuperar?
Entender como agir nessas primeiras horas ajuda a evitar novos episódios e a identificar o momento certo de buscar ajuda. A seguir, reunimos orientações importantes para que o tutor saiba como agir com segurança e responsabilidade.
Após episódios de vômito, o estômago pode estar irritado. Em gatos adultos e estáveis, pausar a oferta de alimento por algumas horas pode ajudar a reduzir a irritação gástrica e evitar novos episódios.
Esse intervalo deve ser curto e cuidadoso, levando em conta a idade, o estado de saúde e a frequência do vômito. A reintrodução da alimentação deve ser gradual, observando se o gato tolera pequenas quantidades sem voltar a vomitar.
A desidratação é uma preocupação importante em gatos que vomitam. Mantenha água fresca disponível e observe se o animal aceita beber por conta própria.
Pequenas quantidades ao longo do dia tendem a ser melhor toleradas do que grandes volumes de uma só vez. Forçar a ingestão deve ser evitado, pois pode desencadear novos episódios.
Quando o vômito ocorre logo após beber água, a avaliação veterinária se torna necessária.
Após os primeiros cuidados, acompanhar o comportamento do gato nas horas seguintes é essencial.
A frequência do vômito, a disposição, a aceitação de água e possíveis mudanças no comportamento ajudam a diferenciar um quadro passageiro de uma situação que exige atendimento imediato.
Para ajudar nesse acompanhamento, preparamos um protocolo prático de observação nas primeiras 24 horas, com os principais pontos que o tutor deve monitorar.
| Período | O que observar | O que é esperado | Sinal de alerta |
| Primeiras horas (0–4h) | – Frequência do vômito – Comportamento geral – Tentativa de beber água | – Episódio isolado, sem repetição – Gato alerta, caminhando normalmente – Pequenos goles, sem vomitar | – Vômitos contínuos ou em curto intervalo – Apatia, isolamento, fraqueza – Vomita logo após beber ou recusa total de água |
| Manhã / Tarde | – Apetite – Hidratação – Postura corporal | – Pode reduzir temporariamente – Língua e gengivas úmidas – Relaxada, movimentos normais | – Recusa total de alimento por muitas horas – Boca seca, gengivas pálidas ou pegajosas – Postura curvada, dor ao toque abdominal |
| Final do dia | – Novo episódio de vômito – Aparência do vômito (se ocorrer) – Uso da caixa de areia | – Ausência de novos episódios – Vômito com aparência parecida com o primeiro episódio – O gato continua urinando e evacuando normalmente na caixa de areia | – Vômito persistente ou com mudança de aspecto – Presença de sangue, espuma intensa, coloração escura – Ausência de urina ou diarreia associada |
| Até 24 horas | – Evolução geral | – Melhora gradual do quadro | – Piora progressiva ou surgimento de novos sintomas |
Se o quadro evoluir ou se o gato apresentar sinais de alerta, entre em contato com um hospital veterinário antes de sair de casa, sempre que possível. Isso permite receber orientações iniciais e agilizar o atendimento. Enquanto se prepara:
Além disso, o estresse pode agravar náuseas e vômitos, por isso é recomendado manter o ambiente calmo, evitar manuseio excessivo e tentar reduzir barulhos e estímulos.
Diante de um episódio de vômito, é comum que muitos responsáveis por gatos ajam por impulso, tentando resolver a situação rapidamente, como querer oferecer um remédio caseiro, forçar água ou mudar a alimentação.
Essas ações parecem atitudes intuitivas, mas podem acabar agravando o quadro ou dificultando o diagnóstico. Para evitar erros comuns, reunimos algumas orientações importantes sobre o que não fazer quando o gato está vomitando.
Medicamentos humanos ou até remédios veterinários antigos nunca devem ser administrados sem orientação profissional. Substâncias comuns para humanos podem ser tóxicas para gatos e mascarar sintomas importantes.
Forçar a ingestão de líquidos ou alimentos pode irritar ainda mais o estômago e provocar novos episódios de vômito, além de aumentar o risco de aspiração.
Vômitos repetidos, diários ou que se prolongam por mais de um dia não devem ser considerados normais, mesmo que o gato já tenha histórico de bolas de pelo.
Trocar a ração ou oferecer alimentos diferentes durante um episódio de vômito pode piorar a irritação gastrointestinal e dificultar a identificação da causa.
Apatia, recusa de alimento, dor abdominal, diarreia, sangue no vômito ou dificuldade para beber água são sinais de alerta e não devem ser ignorados.
Na dúvida, procurar orientação veterinária é sempre a escolha mais segura. Gatos podem se desidratar rapidamente, e atrasar a avaliação pode levar a complicações evitáveis.
O diagnóstico do vômito em gatos começa sempre por uma avaliação cuidadosa da anamnese e do exame clínico. Esse passo é fundamental porque as causas e o tratamento variam bastante conforme o quadro apresentado pelo animal.
Durante a consulta, o veterinário também irá determinar se o vômito é agudo ou crônico, já que essa classificação influencia diretamente a escolha dos exames e a conduta terapêutica.
A partir dessa avaliação inicial, podem ser solicitados exames complementares para identificar a origem do problema. Os mais comuns incluem:
Nem todos os gatos precisam realizar todos esses exames. A escolha depende do histórico, dos sinais clínicos e da resposta inicial ao manejo.
A participação do tutor é essencial para um diagnóstico mais rápido e preciso. Informações simples fazem muita diferença durante a consulta, como:
Durante a consulta, é natural ter dúvidas. Algumas perguntas que podem ajudar no acompanhamento são:
Um diagnóstico bem conduzido evita tratamentos inadequados, reduz riscos e garante um cuidado mais seguro para o gato.
O tratamento depende do diagnóstico. Vomitar é um sinal clínico (não uma doença por si só), então o foco é controlar o mal-estar e corrigir o que está provocando o problema, evitando complicações como desidratação, perda de apetite e desequilíbrio de eletrólitos.
Revisões clínicas em gastroenterologia veterinária reforçam que o suporte inicial muitas vezes é necessário antes mesmo do diagnóstico definitivo, principalmente quando o gato já está debilitado ou com vômitos repetidos (Batchelor et al.; Trepanier; Viviano).
De forma geral, o tratamento costuma combinar cuidados de suporte com terapia direcionada (quando a origem é identificada).
Quando há risco de desidratação, o veterinário pode recomendar a fluidoterapia: que são fluidos por via subcutânea (sob a pele) ou intravenosa (na veia, geralmente com internação).
A escolha depende da avaliação clínica, do grau de desidratação e dos exames. É uma das medidas mais importantes para estabilizar o paciente.
Em muitos casos, controlar a náusea ajuda o gato a voltar a beber água e aceitar alimento, reduzindo risco de piora. Entre os antieméticos mais utilizados na rotina veterinária estão fármacos como maropitant, sempre com prescrição profissional e de acordo com o quadro clínico (Trepanier; Viviano).
Quando o gato volta a tolerar alimento, pode ser indicado um plano temporário com dieta altamente digestível, em pequenas porções ao longo do dia.
Se houver suspeita de reação alimentar, o veterinário pode orientar uma dieta hipoalergênica, com ingredientes controlados, por algumas semanas.
Estratégias dietéticas são consideradas parte central do manejo de vômitos, especialmente em quadros gastrointestinais e hipersensibilidades.
Quando a origem é identificada, o plano muda. Alguns exemplos comuns:
Somente o veterinário pode avaliar o quadro de forma completa, identificar a causa correta e indicar o tratamento mais seguro para o seu gato. Evitar a automedicação e buscar orientação profissional é a melhor forma de proteger a saúde e o bem-estar do animal.
O vômito nem sempre pode ser evitado, mas a rotina do gato influencia diretamente na frequência com que ele acontece. Pequenos cuidados no dia a dia ajudam a manter o organismo mais equilibrado e a reduzir episódios recorrentes, como:
Pode acontecer, sim. Os gatos se lambem diariamente e acabam ingerindo pelos, o que faz parte do comportamento natural da espécie.
Quando a eliminação de bolas de pelo é ocasional e o gato segue ativo, comendo e usando a caixa de areia normalmente, geralmente não há motivo para alarme.
O problema começa quando o vômito com bolas de pelo passa a ser frequente ou vem acompanhado de sinais como apatia, perda de apetite ou dificuldade para evacuar.
Nesses casos, é importante investigar, porque pode haver alteração no trânsito intestinal ou outro problema gastrointestinal associado.
Não existe uma regra fixa para todos os gatos, mas episódios esporádicos, espaçados por semanas ou meses, podem acontecer.
Quando o tutor percebe que o gato vomita bolas de pelo com regularidade, por exemplo, toda semana ou várias vezes no mesmo mês, isso já não deve ser considerado normal e merece avaliação veterinária.
Sim, em muitos gatos, os pelos ingeridos são eliminados naturalmente pelas fezes. O vômito costuma acontecer quando esses pelos se acumulam no estômago e não conseguem seguir pelo intestino.
Por isso, vômito frequente, prisão de ventre ou esforço para evacuar são sinais que merecem atenção.
Essa é uma dúvida muito comum. No vômito, o gato geralmente apresenta ânsia, contrações abdominais e, ao final, elimina conteúdo gástrico, como alimento, líquido, espuma ou bolas de pelo.
Na tosse, o som é mais seco, o gato estica o pescoço para frente e não elimina conteúdo pela boca. Como a confusão é frequente, gravar um vídeo do episódio e mostrar ao veterinário ajuda bastante no diagnóstico.
A regurgitação acontece de forma mais passiva, normalmente logo após o gato comer, e o alimento sai praticamente sem digestão, sem esforço abdominal evidente.
Já o vômito é um processo ativo, com náusea, salivação e contrações, e o conteúdo costuma aparecer mais digerido, podendo conter bile ou espuma. Diferenciar essas situações é importante porque as causas e a investigação são distintas.
Não é recomendado. Episódios repetidos em curto intervalo aumentam o risco de desidratação e podem indicar problemas mais sérios, como obstrução, intoxicação ou doenças sistêmicas.
Mesmo que o gato pareça “melhor” entre um episódio e outro, o padrão de repetição já justifica procurar orientação veterinária.
Existe tratamento, mas não existe um “remédio único” que sirva para todos os casos. Porém, os antieméticos são amplamente indicados e podem ser usados para controlar náusea e vômito, mas sempre com prescrição veterinária.
Tratar apenas o sintoma, sem investigar a causa, pode atrasar o diagnóstico de doenças importantes.
Não. Muitos medicamentos usados por humanos são tóxicos para gatos, e até remédios veterinários antigos podem ser perigosos se administrados sem avaliação atual. A automedicação pode mascarar sintomas, piorar o quadro ou causar efeitos graves.
Em situações específicas, como algumas doenças inflamatórias intestinais, a prednisona pode fazer parte do tratamento. No entanto, ela não é indicada para todo gato que vomita e pode piorar doenças como pancreatite, diabetes e doença renal.
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